Amapergs Sindicato reclama falta de servidores penitenciários e armamento adequado

Amapergs Sindicato reclama falta de servidores penitenciários e armamento adequado

Entidade de classe avaliou ataque na UPA de Caxias do Sul que resultou em agente morto e outro ferido

Correio do Povo

Armas e munições, usadas no ataque, foram apreendidas

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A Amapergs Sindicato denunciou que o efetivo reduzido e a falta de armamento adequado, além do que considera "um descaso" do governo, foram “os elementos que redundaram na morte de servidor penitenciário” em Caxias do Sul, na Serra. Na madrugada da última segunda-feira, o agente Clóvis Antônio Roman, 54 anos, da Superintendência dos Serviços Penitenciários (Susepe), foi morto durante a ação de resgate de um preso na Unidade de Pronto Atendimento 24 Horas Zona Norte (UPA Zona Norte), situada na rua João Gregório Paniz, no bairro Centenário. Um outro agente, de 42 anos, ficou ferido com gravidade e recupera-se em um hospital da cidade.

O presidente da entidade de classe, Saulo Felipe Basso dos Santos, lembrou que existem cerca de 5,1 mil servidores penitenciários na ativa para 41,4 mil apenados no Rio Grande do Sul. Segundo ele, a norma do Ministério da Justiça estipula a proporção de um servidor penitenciário para cada cinco apenados. O dirigente observou que o déficit atual é de 4 mil servidores.

Além da carência de efetivo, o presidente da Amapergs Sindicato enfatizou a questão da melhoria do armamento. De acordo com Saulo Felipe Basso dos Santos, os criminosos utilizam armamento pesado, como fuzis, enquanto os servidores penitenciários utilizam pistolas e às vezes espingardas. Ele recordou inclusive o recente confronto na Penitenciária Estadual de Venâncio Aires, onde os servidores penitenciários tirotearam com bandidos fortemente armados para evitarem a fuga de apenados.

POLÍCIA PENAL

Em nota oficial, a Amapergs Sindicato confirmou que o Governo do Estado protocolou na segunda-feira na Assembleia Legislativa a proposta de emenda constitucional que regulamenta a Polícia Penal no Estado. “Após aprovação de emenda constitucional pelo Congresso Nacional, em 2019, os servidores penitenciários serão equiparados às demais polícias, sem acréscimo salarial, podendo realizar boletim de ocorrência, termo circunstanciado e operações de busca e recaptura”, diz o comunicado. “Além disso, os servidores penitenciários, que serão transformados em policiais penais, receberão armamento do Estado”, acrescenta.

A entidade de classe lembra que o Rio Grande do Sul é um dos mais atrasados nesse processo. “A Procuradoria-Geral do Estado (PGE) analisava o tema há mais de dois meses e só agora resolveu mandar a matéria para a Assembleia Legislativa”, constatou, avaliando a iniciativa como uma consequência após episódio de Caxias do Sul. A Amapergs Sindicato reivindica que todos os servidores penitenciários (agentes penitenciários, agentes penitenciários administrativos, técnicos superiores administrativos e monitores) sejam transformados em policiais penais.

ATAQUE

O ataque ocorreu pouco antes das 3h30min de segunda-feira no posto de saúde. Três criminosos fortemente armados invadiram o local e confrontaram-se com quatro agentes da Susepe, que faziam a escolta e custódia do detento conhecido como Mig, de 29 anos, oriundo da cela 36 da Galeria B da Penitenciária Estadual de Caxias do Sul, durante atendimento médico. O apenado é integrante da facção Os Manos.

Duas enfermeiras e um vigia que também tiveram ferimentos ao serem atingidos durante a troca de tiros. Rechaçados, os criminosos fugiram em um Volkswagen Passat, onde estava um quarto cúmplice aguardando-os no estacionamento.

Atingido e ferido no tiroteio, o detento foi quem matou Clóvis Antônio Ronan, após se apossar da arma do outro agente que estava caído depois de ter sido baleado no tiroteio.

Na fuga, o foragido fez uma jovem refém, sendo levado no Citroën C3 dela até Farroupilha, onde ele prosseguiu a fuga em um Volkswagen Gol, de cor preta, modelo novo, que já estava esperando-o.

No início da tarde de segunda-feira, uma operação conjunta da Brigada Militar e da Polícia Civil localizou e apreendeu o Volkswagen Passat, junto com dois fuzis e uma carabina, além de farta munição, cinco carregadores, dois radiocomunicadores, um colete balístico e um par de algemas, usados pelos criminosos no ataque. 

A ação policial ocorreu em uma residência situada no bairro Pioneiro, em Caxias do Sul. A BM mantém as buscas ao apenado foragido. Já a Polícia Civil abriu inquérito sobre o caso. Imagens de câmeras de monitoramento estão sendo examinadas, entre outras diligências.

PENTE-FINO

Uma operação pente-fino foi realizada ao longo da segunda-feira na Penitenciária Estadual de Caxias do Sul. Conforme a Susepe, um total de 16 presos foram transferidos na ação conduzida pelos efetivos do Grupo de Ações Especiais (GAES) e do Grupo de Intervenção Regional (GIR) da 8ª Região.


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