Polícia

Após ataques em Santa Catarina, 27 suspeitos são detidos

Ônibus foram incendiados em atentados na Grande Florianópolis e em Itajaí

Ônibus foi incendiado na Avenida Ivo Silveira, em Florianópolis
Ônibus foi incendiado na Avenida Ivo Silveira, em Florianópolis Foto : Eduardo Valente / Estadão Conteúdo / CP
A Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina retificou há pouco o número de detidos desde a noite dessa terça-feira no estado por suspeita de envolvimento nos ataques na região. Segundo o órgão, 27 pessoas, 12 delas adolescentes, foram levadas para delegacias da região. Mais cedo, a secretaria havia contabilizado a detenção de 36 pessoas. Alguns dos presos estavam com material capaz de provocar incêndios, como estopa e galões de gasolina.

Ainda de acordo com a secretaria, foram registradas 22 ações criminosas, incluindo incêndios em ônibus, ataques contra agentes públicos, prédios policiais e privados em Florianópolis, Criciúma, Itajaí Palhoça, Blumenau, Camboriú e Navegantes.

Para enfrentar a onda de violência, que começou na noite de segunda-feira, a Secretaria de Segurança Pública anunciou ontem uma ação conjunta de unidades especiais das polícias Militar e Civil, com reforço no patrulhamento de áreas consideras críticas. A Diretoria Estadual de Investigações Criminais também está mobilizada para apurar as causas dos ataques e a Polícia Civil instaurou inquérito para verificar se há alguma relação entre eles.

As prisões

Nove menores de idade e um jovem de 18 anos foram detidos durante a madrugada em Florianópolis, segundo o jornal. Eles estavam escondidos na Comunidade Ilha Continente. O grupo foi levado para a 6 ª Delegacia de Polícia, cuja titular não quis dar informações sobre o caso.

Dois homens que estariam planejando um ataque a ônibus também foram detidos na cidade de Palhoça, vizinha a Florianópolis. Com 28 e 30 anos, eles foram pegos às 4h30min desta quarta com cinco garrafas de dois litros cheias de gasolina no bairro Ponte Imaginarium. Eles foram encaminhados para a delegacia do município.

Em Itajaí, cidade litorânea ao norte da capital, nove pessoas foram presas por volta das 23h de terça-feira em duas casas do bairro de Cidade Nova. Os detidos, sendo três menores, foram pegos enquanto preparavam coquetéis molotov e portavam materiais como estopas, gasolina e garrafas.

De acordo com o delegado Rui Garcia, titular da 4 ª Delegacia Regional de Itajaí, um dos suspeitos, de 18 anos, confessou ter colocado fogo em dois carros nos últimos dias. "Ele disse que fez isso a mando de um tal de 'Dido', que o ameaçou de morte", explicou o delegado. A polícia não deu detalhes sobre o suposto mandante do ataque.

Policiamento será reforçado

Na terça-feira à tarde, o governo catarinense anunciou uma ação conjunta de unidades especiais das polícias Militar e Civil, com reforço no patrulhamento de áreas consideras críticas. A Diretoria Estadual de Investigações Criminais também está mobilizada para apurar as causas dos ataques e a Polícia Civil instaurou inquérito para verificar se há alguma relação entre eles. Linhas de ônibus que foram alvo das investidas de criminosos terão escoltas durante a madrugada.

O secretário da Segurança de Santa Catarina, César Augusto Grubba, disse que a polícia apura se os atentados têm relação entre si. Ele descartou a necessidade de solicitar auxílio ao governo federal, mas informou que as autoridades estaduais têm trocado informações, por meio de uma rede integrada de inteligência policial, com representantes do Ministério Público, do Poder Judiciário, da Polícia Rodoviária Federal, da Polícia Federal e do Exército. Grubba disse não falar em sigla de facção criminosa para "não espetacularizar o crime".

"Reconhecemos que podem haver ações típicas do crime organizado com origem dentro do sistema prisional. No entanto, sabemos que muitas ações são praticadas por indivíduos e grupos que se aproveitam do contexto para realizar seus objetivos e interesses," disse o secretário. Ontem, foi anunciada a captura de dois suspeitos de alvejarem o presídio de Blumenau.

A Secretaria de Segurança Pública de Santa Catarina investiga ainda se os atentados representam um “processo de imitação” incentivado pela onda de criminalidade em outros estados. Em São Paulo, também foram registrados ataques que incluíram ônibus incendiados. Para conter a onda de violência, o governo paulista e o Ministério da Justiça criaram uma agência integrada de inteligência, com o objetivo de unir os serviços de informação estadual e federal e orientar a ação de combate ao crime por parte da polícia.

Com informações da Agência Estado e Agência Brasil

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