Polícia

Após ataques, Moro autoriza envio da Força Nacional para o Ceará

Cerca de 300 homens atuarão por 30 dias no Estado

Cerca de 300 homens atuarão por 30 dias no Ceará
Cerca de 300 homens atuarão por 30 dias no Ceará Foto : Ricardo Giusti / CP Memória
O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, autorizou, no final da manhã desta sexta-feira, o envio de tropas federais para o Ceará, que vive sob ataques pelo segundo dia consecutivo. Diversas cidades do Estado registraram desde quinta-feira noites e madrugadas de ataques. Em Fortaleza, uma delegacia da Polícia Civil sofreu atentado de incêndio. A Prefeitura de Maracanaú também foi atacada. Ônibus e vans foram queimados pelos suspeitos, que também incendiaram colunas que sustentam um viaduto da rodovia BR 020, que liga a capital cearense a Brasília.

Cerca de 300 homens e 30 viaturas da Força Nacional (FN) seguem ainda hoje para o Estado e atuarão por 30 dias em ações de segurança e apoio à Polícia Federal (PF), à Polícia Rodoviária Federal (PRF), ao Departamento Penitenciário Nacional (Depen) e às forças policiais estaduais. Caso necessário, o prazo de atuação da FN poderá ser prorrogado.

A decisão foi tomada após os episódios de violência registrados e à dificuldade das forças locais combaterem sozinhas o crime organizado. Também foram consideradas a gravidade dos fatos, a necessidade de manutenção da segurança pública e o dever das forças policiais federais e estaduais de, por ação integrada, proteger a população civil e o patrimônio público e privado de novos incidentes.



Segundo a portaria, foi determinado que as polícias federais intensifiquem as ações de prevenção e repressão ao crime organizado e que o Depen preste todo o apoio necessário para as ações de segurança pública no estado. A forma de atuação será definida pela Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Os ataques foram feitos após a declaração do novo secretário de Administração Penitenciária do Estado, Luís Mauro Albuquerque, de que não reconhece facção criminosa no Ceará. Ele confirmou que a divisão de presos por unidades não irá mais obedecer a distribuição por vínculos com organizações criminosas.

O governador Camilo Santana, que assumiu na terça-feira o segundo mandato, para o qual foi reeleito em outubro de 2018, havia dito em janeiro do ano passado que das 441 mortes registradas nos primeiros 29 dias de 2018, 84% eram vinculadas às facções criminosas. O principal grupo criminoso do Ceará é o GDE (Guardiões do Estado).