Polícia

Após denúncias de 87 pacientes, cirurgião plástico e outros 12 médicos são indiciados em Porto Alegre

Polícia Civil investiga vítimas de necroses e mutilações em cirurgias estéticas na Capital

Quase 90 pacientes relataram problemas após cirurgias
Quase 90 pacientes relataram problemas após cirurgias Foto : R7

A Polícia Civil indiciou um cirurgião plástico e mais 12 médicos, entre residentes e ex-residentes, em Porto Alegre. Eles são suspeitos de gerar complicações pós-operatórias em pelo menos 87 pacientes. A informação foi anunciada nesta quarta-feira, em coletiva no Palácio da Polícia.

De acordo com a investigação, os residentes faziam os procedimentos sozinhos, por decisão do cirurgião plástico, sem o consentimento dos pacientes. Os relatos dão conta que, durante as operações, o médico ficava no WhatsApp e, por vezes, teria chegado a sair do hospital para outros compromissos.

Apesar da ausência na sala de cirurgia, o profissional teria feito a captação de clientes pela internet, com propostas de operações com “os melhores resultados” e com “brindes”. Ele também contrataria médicos recém-formados e sem especialização para ficar no seu lugar, sendo que a maior parte deles tinha medo de retaliações e aceitava assumir o posto.

Os casos aconteceram entre os anos de 2018 e 2023. As vítimas sofreram de problemas como necroses e mutilações. Os suspeitos vão responder por estelionato, crimes contra o consumidor, associação criminosa, lesão corporal e concussão.

Mais de 700 operações foram realizadas. Conforme o subchefe de Polícia, delegado Heraldo Guerreiro, as complicações ocorreram em cerca de metade dos procedimentos.

”São fatos extremamente graves e que nos deixam estarrecidos. Ele fazia captação dos clientes e não participava da cirurgia. Temos mais de 700 operações, sendo que em quase metade houve problemas”, disse o subchefe da PC.

Nenhum dos suspeitos foi preso. O cirurgião plástico não está proibido de atuar. Entretanto, uma decisão judicial restringiu a participação dele em procedimentos invasivos. Ele também está proibido de sair de Porto Alegre e teve o passaporte retido.