Polícia

Apontados como nazistas, réus são condenados por tentar matar vigilante negro da Trensurb, em Porto Alegre

Dupla teria desferido facadas em vítima e dito “essa raça não presta”

Homens apontados como nazistas foram julgados na 2ª Vara do Júri
Homens apontados como nazistas foram julgados na 2ª Vara do Júri Foto : Pedro Piegas / CP

Dois réus foram condenados nessa quinta-feira por tentativa de homicídio de um segurança da Trensurb, no dia 21 de outubro de 2009, em Porto Alegre. Laureano Vieira Toscani recebeu pena de nove anos e quatro meses, em regime fechado, e Daniel Fabrício Silva de Oliveira, oito anos e três meses, no semiaberto. Conforme o Ministério Público (MPRS), eles são adeptos do nazismo.

O promotor Caio Isola de Aro esteve à frente da acusação, na 2ª Vara do Júri da Capital. Segundo a denúncia, a dupla teria agredido o vigilante com socos, tapas, pontapés, facadas e golpes de martelo, dizendo frases como: “esse negro hoje vai voar”, “nós vamos matar ele”, “essa raça não presta” e “negro tem que morrer”, entre outras. O crime teria ocorrido após a vítima repreender o grupo em que os dois estavam, por urinar na calçada em frente à Trensurb.

A qualificadora foi motivo torpe, com intenção de cometer crimes contra minorias. O promotor Caio de Aro pedirá aumento das condenações.

O que dizem as defesas

De acordo com o advogado Jorge Luiz Dalmas, que defende Daniel Fabrício Silva de Oliveira, ele nega ter cometido o crime e também diz não ser nazista. O advogado complementou que, a depender da decisão da família do seu cliente, recorrerá.

Já o advogado Rodrigo de Lima Noble, na defesa de Laureano Vieira Toscani, alegou que não faz manifestação sobre processos em trâmite. O espaço permanece aberto.

Laureano já tinha sido condenado a 13 anos de prisão, em 2018, por tentativa de homicídio triplamente qualificado. No caso, por ataque contra três judeus no bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, ocorrido em 2005.

Toscani chegou a ficar recolhido na Penitenciária Estadual de Canoas (Pecan), mas estava solto. Ele é apontado, por MPRS e Polícia Civil, como um dos principais integrantes do movimento supremacista em território gaúcho.

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