As ações desencadeadas pelas forças de segurança após a sequência de homicídios registrada em Porto Alegre já resultaram na prisão de, pelo menos, 22 pessoas em poucos dias. O balanço parcial da Operação Saturação, realizada dentro do Protocolo de Dissuasão Focada, já contabiliza ainda a apreensão de três adolescentes e a retirada de oito armas de fogo de circulação entre os dias 26 e 29 de junho.
O reforço no policiamento foi intensificado depois que a Capital registrou uma série de execuções atribuídas, em investigação, à disputa entre organizações criminosas. Diante do cenário, Brigada Militar, Polícia Civil e Polícia Penal passaram a atuar de forma integrada por meio do Protocolo das Sete Medidas de Enfrentamento aos Homicídios, que prevê ações de saturação, inteligência, investigação e repressão qualificada às facções.
Conforme o levantamento do Comando de Policiamento da Capital (CPC), da Brigada Militar, foram quatro prisões na sexta-feira, sete no sábado, cinco no domingo e outras seis na segunda-feira, totalizando 22 presos. No período, também foram apreendidos três adolescentes.
As operações resultaram ainda na apreensão de oito armas de fogo, sendo quatro pistolas, três revólveres e uma submetralhadora, além de munições, drogas e outros materiais utilizados pelas organizações criminosas.
Uma das prisões ocorreu na madrugada de segunda-feira, no bairro Mário Quintana, onde policiais do 1º Batalhão de Polícia de Choque prenderam um homem por porte ilegal de arma de fogo e tráfico de drogas. Com ele, foram apreendidos uma submetralhadora calibre 9 milímetros, um revólver calibre .38, munições, mais de 380 porções de cocaína, maconha e crack, além de uma balança de precisão.
Quando o protocolo foi acionado, no fim da semana passada, o comandante do Comando de Policiamento da Capital (CPC), coronel Marcio Luiz da Costa Limeira, afirmou que o objetivo imediato das ações era impedir novos ataques e transmitir sensação de segurança à população.
Ele explicou que a Brigada Militar havia iniciado a saturação das áreas consideradas mais sensíveis ainda após o primeiro homicídio com características de disputa entre facções, ampliando posteriormente a presença de efetivos das Forças Táticas e do Batalhão de Choque. "Nosso foco principal é garantir a segurança da população. Por isso, ampliamos a presença ostensiva para que as pessoas percebam que a Brigada Militar está presente, se sintam seguras para manter sua rotina e, ao mesmo tempo, para evitar que novos crimes graves aconteçam", afirmou.
O protocolo adotado pelas forças de segurança é baseado na teoria da dissuasão focada, desenvolvida pelo criminologista norte-americano David Kennedy. A estratégia prevê uma resposta imediata sempre que homicídios relacionados à atuação de organizações criminosas são registrados, reunindo Polícia Civil, Brigada Militar, Polícia Penal, Ministério Público e Poder Judiciário.
Além do reforço ostensivo, a atuação inclui investigações para identificar executores e mandantes, responsabilização de lideranças criminosas, revistas em presídios, investigações patrimoniais, isolamento de chefes de facções e transferências de presos para reduzir a capacidade de comando das organizações criminosas.