Segundo Gasperetto, a estimativa é de que a quadrilha tenha levado 6,5 milhões de dólares. Os criminosos cavaram um túnel para ter acesso a cofres da instituição financeira, assim como ocorreu em Porto Alegre, em 2006, quando uma quadrilha tentou roubar o Banrisul.
Pelo menos três ladrões participaram da ação e conseguiram chegar a mais de 100 cofres particulares do Banco Província, no bairro de Belgrano, Norte de Buenos Aires. Eles alugaram, em julho, um imóvel vizinho ao banco e cavaram o túnel de 25 a 30 metros de comprimento. A instituição financeira estatal informou que foram saqueados "entre 130 e 140 cofres dos 1.408 existentes na agência" e que o roubo foi descoberto na manhã de segunda-feira.
O promotor Martín Niklison disse que os assaltantes entraram no local na sexta-feira, dia em que não houve expediente bancário, e trabalharam durante todo o fim de semana na abertura dos cofres, sem serem descobertos, completando a operação na manhã de segunda-feira.
Niklison afirmou que os assaltantes carregaram o dinheiro e fugiram em um carro, como mostram imagens das câmeras de segurança. O promotor acrescentou que os alarmes anti movimento soaram em várias oportunidades, mas a polícia da região não tinha acesso ao banco para verificar porque haviam disparado.
O túnel tinha luzes, ventilação e revestimento nas paredes, disseram os peritos. "É um trabalho realmente impressionante", ressaltou o promotor, que descartou o envolvimento de algum funcionário no crime.
Centenas de clientes se aglomeraram, na segunda-feira, em frente ao banco para reclamar seus bens e bloquearam a avenida onde fica a agência, enquanto esperavam que as autoridades confirmassem se seus cofres haviam sido violados.
PCC pode estar envolvido no ataque
O delegado Gasparetto não descarta que a quadrilha que roubou o Banco Província seja integrado por homens do Primeiro Comando da Capital (PCC), facção criminosa que organizou tentativa de ataque semelhante no Banrisul, em 2006. Naquela ação, um edifício de sete andares na esquina da rua Caldas Júnior com a avenida Mauá foi comprado pelos criminosos.
Os responsáveis pela escavação do túnel se revezavam no trabalho dia e noite, sendo substituídos por outros homens, todos de São Paulo. Um primeiro túnel havia sido iniciado, mas abandonado em seguida pelas dificuldades encontradas no caminho. Uma segunda equipe, com equipamentos para perfurar a blindagem do cofre, viajaria para Porto Alegre com a missão de retirar o dinheiro do banco. Nessa fase do plano, a fuga teria cobertura de criminosos fortemente armados, que ainda não estavam na Capital.
A Polícia Federal conseguiu frustar o plano e prendeu 22 bandidos, em operação intitulada de Toupeira. Ela foi comandada pela Delegacia Regional de Combate ao Crime Organizado da PF gaúcha.