O estudante Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, de 24 anos, acusado de matar o cartunista Glauco Vilas Boas, e o filho Raoni, ligou duas vezes para o número 190 da Polícia Militar após o crime. Em depoimento à Polícia Civil, ele contou que queria se entregar e na primeira ligação, o atendente pensou que fosse trote. Na segunda chamada foi orientado a procurar um distrito policial.
Em nota divulgada nesta sexta-feira, a PM confirmou ter recebido as duas ligações feitas do celular de Cadu, à 0h30min do dia 12 de março, quando o cartunista e o filho foram mortos a tiros em Osasco, na Grande São Paulo. A polícia informou que nas duas ligações, Cadu narrava coisas desconexas e sem sentido. Também não forneceu sua localização ou outras informações para que uma viatura fosse enviada até o local e, por isso foi orientado a se deslocar para um distrito policial.
Também nesta sexta-feira, a Polícia Civil informou ter descoberto uma mentira no depoimento prestado por Cadu. O rapaz disse que roubou um carro no Morumbi, zona Sul de São Paulo, às 9h30min do dia 14 de março e fugiu em seguida pela Régis Bittencourt para Foz do Iguaçu (PR), onde foi preso por volta de 23h30. O veículo, no entanto, foi flagrado no Ibirapuera às 13h do mesmo dia.
Segundo o delegado Marcos Carneiro, diretor do Departamento de Polícia Judiciária da Macro São Paulo (Demacro), Cadu pode ter ido ao Ibirapuera para encontrar-se com alguém e receber ajuda para fugir. "Ele contou no depoimento que tinha R$ 2 mil. Alguém pode ter dado o dinheiro a ele. Ninguém foge para um lugar distante sem dinheiro. Não daria para abastecer o veículo. Isso reforça a tese de que ele premeditou o crime", argumentou o policial.
A outra mentira de Cadu, segundo a polícia, foi ter dito que fugiu a pé do local do crime por volta da 0h30min do dia 12. O delegado Archimedes Cassão Veras Júnior, do Setor de Investigações Gerais (SIG) de Osasco, apurou que Cadu percorreu uma distância de pelo menos 12 quilômetros em 11 minutos e não poderia ter feito isso a pé.
A suspeita da Polícia Civil é de que o universitário Felipe de Oliveira Iasi tenha dado fuga ao amigo Cadu. Foi Iasi quem o levou para a casa do cartunista, na noite do crime. Ao depor ao delegado Veras Júnior, Iasi disse que foi sequestrado e ameaçado de morte por Cadu, caso não cumprisse a ordem dele.
Nesta sexta-feira, a Justiça de Osasco decretou a quebra do sigilo telefônico de Cadu e também de Iasi e de sua mãe, Eneida Oliveira. Iasi vai prestar novo depoimento na próxima semana.
Assassino de Glauco ligou para o 190 antes de fugir
Estudante ligou duas vezes para a polícia após matar cartunista Glauco, afirmando que se entregaria