O ataque à escola municipal Maria Nascimento Giacomazzi, em Estação, que terminou com a morte de uma criança e deixou outras quatro pessoas feridas, sublinhou a existência de um padrão mostrado no 1º Boletim Técnico "Escola que Protege: Dados sobre Violências nas Escolas", em que os autores desses tipos de crimes são do sexo masculino. Nesta terça, um adolescente de 16 anos é o principal suspeito do ato.
Conforme o boletim, publicado em dezembro de 2024 e elaborado por equipes técnicas do Ministério da Educação (MEC), Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania (MDHC) e Fórum Brasileiro de Segurança Pública, os agressores eram 100% meninos ou homens. A motivação deste ataque em Estação ainda é desconhecida, mas a pesquisa cita discursos de ódio e comunidades online de violência extrema como possíveis gatilhos.
Segundo o levantamento, desde 2001, foram contabilizados 43 ataques de violência extrema contra escolas brasileiras, resultando em 168 vítimas (115 feridos e 53 vítimas fatais, sendo seis autores dos ataques). Em 19 ataques foram usadas armas de fogo e em 20, armas brancas. Armas de fogo foram responsáveis por 36 das 44 mortes.
A partir de 2019, houve no Brasil um aumento significativo, com dez ataques em 2022, 15 em 2023. Há dois anos, nove pessoas morreram e 29 ficaram feridas. Mais recentemente, em abril, o Rio Grande do Sul registrou um ataque em uma escola de Caxias do Sul, na Serra. Dois adolescentes esfaquearam uma professora, que conseguiu sobreviver à agressão.
Causas
O boletim técnico ainda indicou que as principais causas dos ataques incluem o aumento do extremismo e sua disseminação digital, a promoção da cultura armamentista, a prevalência de bullying e preconceitos, e a insuficiente formação profissional para mediação de conflitos.
Uma pesquisa de julho de 2023 estimou que 12,6% das escolas brasileiras (16.506) sofreram ameaça ou tentativa de ataque nos 12 meses anteriores.