Polícia

Atentados se espalham em SC e deixam RS em alerta

Ônibus foi incendiado em Ingleses, Florianópolis, na terceira noite de tumultos<br />

Na terceira noite de atentados em Santa Catarina, um ônibus da empresa Canasvieiras foi incendiado por vândalos no bairro Ingleses, no Norte de Florianópolis, região mais afetada pela onda de violência que começou na segunda-feira. O atentado ocorreu por volta das 20h30min e já o 26º em Santa Catarina. Uma testemunha relatou ter visto homens encapuzados entrando no ônibus, seguido de explosão e muita fumaça.

Entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta, uma série de atentados foi registrada em Navegantes, Criciúma, Florianópolis, Itajaí e Blumenau. Na lista de crimes, estão ônibus incendiados, apedrejados e tiros contra presídios.

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, falou pela primeira vez sobre a crise. Ele fez coro às autoridades policiais e entende que parte dos crimes pode ser motivada pelo recrudescimento do Estado nas cadeias. “No ano passado, tivemos mais de 500 fugas e 11 mortes. Em 2012, foram 125 fugas e apenas duas mortes. Estamos preparados e trabalhando para dar toda a segurança à população.”

Colombo disse ainda que o governo manteve contatos com o Ministério da Justiça. Segundo ele, o governo federal se colocou à disposição para ajudar os catarinenses. “Mas não temos necessidade. Nossa Polícia tem como controlar a situação”, garantiu.

RS em alerta contra ataques

Autoridades da Segurança Pública do RS estão em alerta devido à onda de atentados em Santa Catarina. Nos presídios, a orientação repassada de forma verbal aos agentes era para que ficassem atentos a qualquer movimentação estranha. Porém, um agente lotado na região Metropolitana, que pediu para não ser identificado, disse que o clima é calmo.

Segundo ele, atualmente três facções — Os Manos, Os Abertos e os Bala na Cara — detêm certo poder nas casas prisionais. “A facção que pode querer fazer alguma coisa, como em SC, é a dos Bala na Cara”, disse. “Além de ser o grupo mais violento, são vaidosos e fariam isso para elevar seu status nos estabelecimentos penais”, disse.

O agente explicou que Os Abertos têm mais poder nas cadeias gaúchas, mas não se envolveriam em atentados, por se voltarem ao tráfico. O mesmo ocorre com os Manos, fação que, ao longo do tempo, perdeu influência e atua com o tráfico.

A Polícia Civil monitora com atenção os acontecimentos no estado vizinho. Os integrantes da instituição, no entanto, não acreditam que a onda de violência atinja o RS. Integrantes do Primeiro Comando da Capital (PCC) tentaram cometer crimes no Estado e chegaram a ficar detidos nas cadeias gaúchas — especialmente na Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas (Pasc) —, mas não tiveram influência sobre a massa carcerária.

O tenente-coronel Paulo César Franquilin, da Assessoria de Direitos Humanos da BM, considera o perfil do detento gaúcho diferente do resto do país. Segundo ele, isso faz com que as facções não sejam tentadas a imitar as existentes em outros estados.

Em Caxias do Sul, o responsável pela Agência Regional de Inteligência do CRPO da Serra, o capitão Flori Chesani Júnior, não confirmou que um criminoso catarinense viria ao Estado para matar policiais e agentes penitenciários. A única relação do suspeito com o RS, destacou, é que o homem teria um primo na Penitenciária de Caxias, além de contato com outro detento. Segundo ele, não existem sequer gravações de conversas entre eles.

Cuidados no feriadão

A Polícia Militar de Santa Catarina está recomendando que os gaúchos fiquem atentos ao trânsito e evitem locais isolados durante o feriadão de Proclamação da República.  "Nós estamos em estado de alerta, estado de sobreaviso. Toda a polícia militar catarinense está nesta condição", disse a chefe da comunicação social da corporação, tenente-coronel Claudete Lehnkuhl.

A oficial lembrou que os ataques estão se resumindo a bens e não a pessoas. "Não há nenhum registro de lesões corporais nem da parte de policiais nem da parte de civis", enfatizou Claudete. Ela informou que 23 suspeitos dos ataques foram presos até agora. Parte deles com materiais como estopa e galões de gasolina. 

A Polícia suspeita que parte dos crimes tenha sido praticada por oportunistas, sem ligação com qualquer organização, que aproveitaram o clima de insegurança. Represálias de integrantes de organizações criminosas a supostos maus-tratos praticados por agentes policiais dentro de presídios podem ter motivado a onda de ataques investigada pela polícia. No fim do mês passado, a esposa do diretor da Penitenciária de São Pedro de Alcântara, em Florianópolis, Carlos Antônio Alves, foi assassinada, o que também pode ser um ato de retaliação dos criminosos.

Com informações de Samuel Vettori/Rádio Guaíba.


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