O número de mulheres já identificadas como possíveis vítimas de um fotógrafo gaúcho preso por divulgar imagens íntimas sem consentimento voltou a crescer no Rio Grande do Sul. A confirmação ocorreu após a deflagração da segunda fase da Operação Imagem Protegida, realizada na manhã de terça-feira, com cumprimento de mandado de busca e apreensão em Salvador, na Bahia.
Segundo a delegada Thaís Dequech, titular da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (1ª DEAM) de Porto Alegre e responsável pela investigação, ao menos outras 10 mulheres procuraram a polícia nos últimos dias. “Ainda estamos analisando se elas serão cadastradas como vítimas ou testemunhas”, explicou a delegada.
Antes da nova fase da operação, ao menos 20 vítimas já haviam sido identificadas no Estado, número que pode seguir aumentando com o avanço das apurações. A estimativa da Polícia Civil é que, em todo o Brasil, o número de mulheres que tiveram imagens íntimas publicadas sem autorização possa ultrapassar as 100 vítimas.
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A Operação Imagem Protegida – Fase II foi coordenada pela Polícia Civil do Rio Grande do Sul, por meio da 1ª DEAM, com apoio do Departamento de Proteção à Mulher, Cidadania e Vulneráveis, e da Polícia Civil da Bahia. A diligência teve como objetivo a coleta de novos elementos probatórios relacionados ao crime de divulgação de cenas de nudez sem consentimento da vítima.
Durante a ação, foram apreendidos aparelhos eletrônicos, que agora passarão por perícia técnica, etapa considerada fundamental para aprofundar as investigações, confirmar novos crimes e identificar outras possíveis vítimas. A Polícia Civil destacou que a atuação integrada entre os dois estados reforça a importância da cooperação interestadual no combate a crimes praticados no ambiente digital.
Relembre o caso
O fotógrafo, de 27 anos, foi preso preventivamente no dia 3 de janeiro, durante a primeira fase da Operação Imagem Protegida, no bairro Petrópolis, em Porto Alegre. Conforme a Polícia Civil, ele utilizava sua atuação profissional para atrair mulheres interessadas em ensaios fotográficos e, durante as sessões, as convencia a realizar fotos sensuais ou com cenas de nudez.
Sem o consentimento das mulheres, as imagens eram posteriormente publicadas e comercializadas em uma plataforma paga de conteúdo adulto. Inicialmente, três vítimas registraram ocorrência, mas o avanço das investigações apontou um cenário muito mais amplo. Há indícios de que o número de vítimas possa ultrapassar 100 em todo o país.
O investigado é natural do Rio Grande do Sul, mas residia em Salvador, onde estudava. Ele havia retornado ao Estado para visitar familiares no fim do ano, período em que acabou sendo preso. As investigações seguem em andamento na 1ª DEAM de Porto Alegre.