Para deixar a Argentina, Fátima acredita que o PCC utilizou o mesmo método aplicado em outros ataques parecidos: o aluguel de aviões para a fuga dos líderes com quase todo o roubo. Já o restante do grupo se espalhou e teria retornado disfarçado, por via terrestre, de modo discreto. No entanto, ela lembra que os criminosos podem cometer erros cruciais, como no caso do furto de mais de R$ 164 milhões do Banco do Brasil em Fortaleza (CE), em agosto de 2005. "Alguns esconderam o dinheiro nas rodas dos carros e ficaram alguns dias nas praias, sendo presos ao tentarem sair de lá", recorda ela.
Em Porto Alegre, o PCC foi o autor do túnel que chegaria ao Banrisul ou da Caixa Econômica Federal no Centro, descoberto no dia 1º de setembro de 2006 pela PF. Em agosto desse mesmo ano, em Maceió (AL), a PF encontrou um túnel em construção que chegaria até uma agência da Caixa Econômica Federal. Também em 2006, em fevereiro, o alvo foi o ABN Amro Bank, em Assunção, no Paraguai, cuja ação foi frustrada pois os funcionários da agência ouviram o barulho das escavações e deram o alerta.
Em cada ataque, a tática é a mesma. A facção aluga imóveis perto dos bancos e usa GPS para a rota do túnel. No caso de Porto Alegre, um edifício abandonado foi alugado na rua Caldas Júnior. Entre os 26 detidos pela PF na ocasião, 22 viajaram de avião de São Paulo para a Capital. Na época, o delegado Ildo Gasparetto, atual superintendente regional da PF no Estado, revelou que o PCC pretendia cometer o mesmo crime no Uruguai.