Polícia

Autor de disparo que matou estudante na Restinga é julgado hoje em Porto Alegre

Camilla Lopes Fruck estavam em um carro quando foi atingida por bala perdida durante um confronto entre facções criminosas rivais

Foto : Arquivo Pessoal / Reprodução / CP

Um homem acusado pelo Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS) de matar a estudante de enfermagem Camilla Lopes Fruck, de 25 anos, está sendo julgado pelo Tribunal do Júri nesta quinta-feira, no Fórum Central de Porto Alegre. Conforme a denúncia, a vítima foi atingida por bala perdida durante um confronto entre facções criminosas rivais na Restinga.

O réu responde por homicídio qualificado por motivo torpe e emprego de meio que resultou em perigo comum, na forma de erro na execução. A acusação é sustentada pelo promotor de Justiça Eugênio Paes Amorim.

Segundo a denúncia do MPRS, o crime ocorreu na madrugada de 16 de novembro de 2024, na Estrada João Antônio da Silveira. O acusado participava de uma troca de tiros relacionada a disputas do tráfico de drogas quando diversos disparos foram efetuados em via pública. Camilla estava em um veículo com amigos, foi atingida na cabeça e morreu após ser socorrida e encaminhada ao Hospital da Restinga.

A investigação apontou que a vítima não tinha qualquer relação com o confronto. De acordo com o MPRS, os disparos tinham como alvo integrantes de um grupo rival, mas acabaram atingindo a jovem.

Durante a instrução processual, foram reunidos depoimentos de testemunhas, imagens de monitoramento e laudos periciais que embasaram a decisão judicial de levar o acusado a julgamento pelo Tribunal do Júri. “O caso desmente a falácia popular de que as mortes são ‘entre eles’, demonstrando a subjugação das comunidades pelos traficantes e a necessidade imperiosa de punição e encarceramento”, afirmou o promotor.

O que diz a defesa

Antes do julgamento, a defesa do réu se manifestou em nota e disse que a dinâmica do ocorrido e a responsabilidade pelo resultado fatal são “questões complexas”, que serão esclarecidas no decorrer do júri.

Confira na íntegra:

“A defesa de Fabiano de Souza manifesta seu profundo pesar pela trágica perda da jovem vítima, solidarizando-se integralmente com seus familiares e amigos neste momento de dor.

Diante das notícias veiculadas, esclarecemos que a apuração dos fatos exige cautela e rigor técnico. Não há, até o momento, elementos que permitam apontar com certeza a autoria dos disparos que atingiram o veículo. A dinâmica do ocorrido e a responsabilidade pelo resultado fatal são questões complexas, que serão esclarecidas no decorrer do júri.

Importante ressaltar, ainda, que confiamos no trabalho da Justiça e reafirma que o processo penal deve ser conduzido com absoluto respeito ao contraditório, à ampla defesa e à presunção de inocência, princípios constitucionais que impedem qualquer juízo antecipado de culpabilidade.”