Autor do ataque à creche em Blumenau é indiciado pela Polícia Civil de Santa Catarina

Autor do ataque à creche em Blumenau é indiciado pela Polícia Civil de Santa Catarina

Ele responderá por quatro homicídios e cinco tentativas, com as qualificadoras motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa das vítimas e por serem menores de 14 anos

Correio do Povo

investigação apurou que as crianças foram golpeadas com machadinhas em apenas 20 segundos

publicidade

A Polícia Civil de Santa Catarina indiciou o autor do ataque ao Centro de Educação Infantil Cantinho Bom Pastor, em Blumenau, por quatro homicídios, tendo como qualificadoras o motivo torpe, meio cruel, impossibilidade de defesa das vítimas e por serem menores de 14 anos. Ele vai responder ainda por cinco homicídios tentados com as mesmas qualificadoras.

O atentado com machadinha, que deixou quatro crianças e outras cinco feridas, ocorreu no pátio da creche situada na rua dos Caçadores, no bairro Barra Velha. O inquérito foi encaminhado ao Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) para que seja oferecida a denúncia.

A investigação foi realizada pela Divisão de Investigação Criminal (DIC) de Blumenau em trabalho conjunto com os peritos da Polícia Científica e colaboração da Polícia Militar, Corpo de Bombeiros Militar e Secretaria da Educação do Estado. Houve análise de imagens, documentos eletrônicos, conversas em grupos na internet e depoimentos de 21 testemunhas, além de coleta de informações do aparelho telefônico do suspeito.

Segundo o delegado-geral da Polícia Civil de SC, Ulisses Gabriel, o investigado agiu sozinho e tinha a intenção de matar um número maior de crianças. “Por todo o exposto, considerando todos os elementos angariados no decorrer da investigação, conclui-se que, de plena consciência da ilicitude do fato, como também de livre e espontânea vontade, o homem foi o autor do crime”, enfatizou.

De acordo com o delegado da DIC de Blumenau, Ronnie Reis Esteves, a investigação se dividiu em duas partes: oitivas com o acusado e as testemunhas e a dinâmica do crime. Ele contou que durante o registro do auto de prisão em flagrante em momento algum o investigado se recusou a dar informações. “No depoimento, a mãe disse que ele era uma pessoa normal até começar a usar drogas e vender drogas para sustentar o vício. Ela só se deu conta de que ele estava usando drogas quando percebeu alteração no comportamento do filho”, explicou.

Já o outro delegado da DIC de Blumenau, Rodrigo Raitz, responsável pela definição da dinâmica do crime, disse que foi feito um levantamento de todo o trajeto do criminoso, desde o momento que ele sai de casa até se entregar no 10º BPM. “Ele saiu de casa às 8h03min, foi na academia de ginástica por onde permaneceu por 23 minutos, percorreu diversas ruas até chegar à creche, pulou o muro e em 20 segundos matou quatro crianças e feriu outras cinco. Depois disso ele pegou a moto e se entregou ao batalhão da Polícia Militar”, acrescentou.

Por meio de relatório de análise de extração de dados, a equipe policial constatou que o suspeito pesquisava na internet sobre ocultismos, seitas e magias. Após analisar as pesquisas feitas em navegadores de internet, os agentes comprovaram ainda que, no dia 15 de março, ou seja, 21 dias antes do ocorrido, o investigado procurou por modelos de machados.

Por sua vez, a psicóloga Policial Civil Larissa Canali disse que no decorrer das investigações não apareceu nenhum diagnóstico oficial de que o criminoso tenha algum transtorno mental. “O histórico é de surtos possivelmente psicóticos, talvez potencializados pelo uso de drogas”, comentou.

Conforme a perita-geral da Polícia Científica, Andressa Boer Fronza, a perícia realizada no telefone celular apreendido do suspeito possibilitou a extração até mesmo os dados já apagados para análise e investigação. “Mais de 20 laudos periciais requisitados foram entregues à Polícia Civil”, informou.

O resultado do exame toxicológico do autor dos homicídios revelou a presença de cocaína, álcool e seus metabólitos, mas não foi possível afirmar que ele estava sob efeito de entorpecentes no momento do ataque.

O delegado Ulisses Gabriel fez também um apelo à sociedade para que as pessoas não divulguem fake news e que, ao tomar conhecimento de uma informação, por meio de qualquer rede social, consultem os canais oficiais. “É preciso ter cuidado com as informações que se repassa. Estamos enfrentando uma enxurrada de fake news que causam pânico na população, que já está estressada”, observou. Ele lembrou que o mesmo trabalho usado para apurar uma informação verdadeira é igualmente empregado em relação às fakes news.


Mais Lidas

Correio do Povo
DESDE 1º DE OUTUBRO 1895