O oxi, abreviação de oxidado, é um subproduto da cocaína, a exemplo do crack. É acrescido de querosene, gasolina ou diesel, além de solução de bateria, cal e permanganato de potássio. A droga se parece com o crack, e na forma de pedra, é fumado em cachimbo. Segundo especialistas, o oxi tem 80% de cocaína, e o crack não passa dos 40%.
A descoberta da presença da droga ocorreu em 2003 por meio de pesquisa da ONG Rede Acreana de Redução de Danos (Reard), no Acre, uma das portas de entrada do entorpecente. Seu efeito é mais rápido e a letalidade, maior. Cerca de 30% de dependentes morrem em um ano e, no caso do crack, os usuários sucumbem em até oito anos.
A nova droga é originária da Bolívia e do Peru. O oxi já foi encontrado em mais de dez estados das regiões Norte, Nordeste, Sudeste e Centro-Oeste. Conforme o delegado Maurício Moscardi, da Delegacia de Repressão a Entorpecentes da PF no Acre, o oxi não precisa de laboratório para ser produzido, "o que facilita a expansão". O preço baixo é um dos maiores dos atrativos - R$ 2,00, contra os R$ 5,00 do crack. O efeito dura 15 minutos, exigindo seguidas doses por parte dos usuários.
Na Câmara dos Deputados, em Brasília, as comissões da Amazônia, Integração Nacional e Desenvolvimento Regional e de Segurança Pública pretendem realizar audiências públicas, ainda sem data definida, para debater o avanço da droga.
Produto ainda não chegou ao RS
O delegado Heliomar Franco, do Denarc, ainda não detectou oficialmente a presença do oxi no Rio Grande do Sul. Ele acredita que é questão de tempo para a entrada do entorpecente. Segundo ele, o oxi nasceu onde havia dificuldades de obtenção de matéria-prima para o crack, como bicarbonato de sódio e amoníaco. Ao invés desses produtos, a adição de cal virgem e querosene foi a solução para o problema. Para o delegado, não é descartado que "alguém ainda vai querer trazer ou produzir oxi" no RS. Para o usuário de droga, lembra, não importa o grau de letalidade dela.
Responsável pelo Laboratório de Perícia do IGP, o químico Rogério Gomes Saldanha observa que a identificação do oxi não faz diferença em termos da análise, pois a base dessas drogas é sempre a cocaína.