Polícia

Azuizinhos não reconhecem dono de carro usado em agressão

Fiscais de trânsito e dois suspeitos prestaram depoimento à 15ª Delegacia de Polícia

O titular da 15ª Delegacia de Polícia (DP), delegado Luís Fernando Oliveira, ouviu, na tarde desta quinta-feira, os dois agentes municipais de trânsito e dois suspeitos de envolvimento na agressão aos azuizinhos, na tarde da última quarta-feira, na avenida Ipiranga, em Porto Alegre. Os suspeitos são o dono do carro, um corretor de imóveis de 45 anos, e o proprietário de uma revenda de automóveis de São Leopoldo, onde ele teria sido colocado à venda.

Conforme o delegado, os fiscais de trânsito não reconheceram os dois suspeitos, mas apenas a caminhonete EcoSport cinza usada pela dupla. Ambos foram agredidos com um pedaço de pau semelhante ao cabo de um machado e sofreram ferimentos leves. O utilitário foi apreendido e irá para perícia, assim como as imagens das câmeras de segurança. Os quatro prestaram depoimento e foram liberados. Os suspeitos seriam todos jovens, de acordo com Oliveira.

Perícia

Pela tarde, no pátio da DP, o veículo teve anotado o número do bloco do motor. Segundo o delegado, as vítimas foram ouvidas e os suspeitos também. O corretor de imóveis informou que o utilitário está na revenda há, pelo menos, quatro meses e que não participou do fato. Segundo Oliveira, a polícia vai agora tentar identificar quem eram as pessoas que estavam na EcoSport. Para o delegado, os jovens podem ter ou não parentesco com o dono do carro ou da revenda. “Mas, é cedo para decidir o mérito da questão”, disse. “O veículo pode ser o que participou da ação, assim como pode ter sido uma caminhonete com as placas clonadas”, comentou.

A hipótese de que o grupo teria roubado o veículo é considerada fraca pelo policial porque geralmente, segundo ele, são usadas armas de fogo para isso. O que chamou a atenção de Oliveira foi o objeto roubado pelos jovens, que não é vendido facilmente no mercado informal. “Além disso, eles levavam um bastão, característico de gangues que saem para brigar com outros grupos”, analisou.

De acordo com o gerente de fiscalização da Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC), Tarciso Kasper, o fato ocorreu por volta das 16h30min, quando os agentes fiscalizavam um ponto da Ipiranga, próximo ao depósito de uma loja, perto da ponte da Companhia Estadual de Energia Elétrica (CEEE). O veículo passou pelo local e depois fez a volta até chegar onde estavam os agentes de trânsito, no sentido bairro-Centro. “Três deles desceram logo que a EcoSport parou”, disse Kasper. “O condutor demorou um pouco mais e depois os grupo atacou os fiscais, levando a câmera do radar.”

Trezentos metros

Entre o flagrante de excesso de velocidade e a agressão se passaram, no máximo, 15 minutos. A EPTC está averiguando em suas câmeras de segurança (são 45 ao todo), além de pedir as imagens dos equipamentos da Polícia Rodoviária Federal (PRF), existente no trecho entre a Capital e São Leopoldo. “Nas imagens das câmeras, foi detectado que a placa dianteira, do lado esquerdo está levemente amassada, bem abaixo dos últimos dois dígitos, além de um parafuso do mesmo lado enferrujado”, disse Kasper. “No utilitário também há este defeito, o que torna impossível ser clonagem, pois é dificílimo que alguém clone uma placa, inclusive com os amassados”, ponderou.

Um dos fiscais envolvidos foi o mesmo que teve um desentendimento com um promotor de Justiça na última visita da presidente Dilma Rousseff a Porto Alegre. O agente de trânsito foi em defesa de uma colega responsável pela barreira e que quase foi atropelada pelo promotor, nas proximidades do Palácio Piratini. Houve entendimento entre as partes.

Bookmark and Share