Polícia

Banco de Pele da Santa Casa disponibiliza ajuda para queimados em Minas Gerais

Instituição doará material biológico para tratar crianças e outras vítimas do ataque de vigia em Janaúba

Instituição doará material biológico para tratar crianças e outras vítimas do ataque de vigia em Janaúba
Instituição doará material biológico para tratar crianças e outras vítimas do ataque de vigia em Janaúba Foto : Paula Santos / Folhapress / CP
O Banco de Pele da Santa Casa de Misericórdia de Porto Alegre disponibilizou estoque de pele para o Hospital de Pronto Socorro João XXII, de Belo Horizonte, em Minas Gerais. A casa de saúde busca ajudar no tratamento das vítimas do incêndio da creche localizada em Janaúba.

A tragédia ocorreu na quinta-feira, quando um vigia da instituição ateou fogo no seu próprio corpo e no local. Quatro crianças morreram, além do agressor, que faleceu no hospital. Posteriormente, outras três crianças e uma professora também perderam a vida em decorrência das queimaduras.

De acordo com o diretor do Banco de Pele da Santa Casa, Eduardo Chem, também presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica - Regional Rio Grande do Sul, a doação foi solicitada pelo hospital mineiro e não terá custo algum para o Estado. O envio do material será feito por avião. “Sabemos que muitas crianças estão com queimaduras bastante extensas e vamos fazer a doação, assim como fazemos quando outras instituições do país solicitam.”

Eduardo Chem destacou que, de 2005 a 2012, o Banco de Pele de Porto Alegre foi o único em atividade no país. Em 2016, 49 pessoas receberam doações da unidade. No entanto, 110 pedidos não puderam ser atendidos devido à escassez. Em razão disso, o cirurgião plástico alertou para a necessidade de incentivar as doações. “É em momentos como esses, como também ocorreu na tragédia da Boate Kiss, que devemos tocar no assunto e falar sobre a importância das doações”, disse. “A camada de pele retirada após a morte de uma pessoa é muito fina, mas os familiares ainda têm receio em liberar a doação.”

Uma alternativa para reverter a falta de material para atender à demanda, segundo ele, é o uso de membrana amniótica, uma membrana localizada na camada mais interna da placenta e que pode ser captada no final do parto. Porém, o Brasil não dispõe de legislação que regulamente a captação, o processamento e a utilização desse material como uma opção de curativo biológico para queimaduras.