Polícia

Becker nega conhecimento de fraude de bolsas de ensino em depoimento

Ex-reitor da Ulbra foi ouvido pela Justiça hoje

O ex-reitor da Ulbra Ruben Becker negou ter conhecimento de fraude com as bolsas de ensino do governo federal, que teriam beneficiado indevidamente dezenas de jovens. Algumas delas foram solicitadas por políticos da bancada gaúcha, entre eles o deputado federal Eliseu Padilha e o ex-secretário de Governo de Canoas Francisco Fraga. A audiência de instrução da ação popular movida pela servidora pública Maria Bernadete Lima dos Santos contra a União, quatro ex-conselheiros do Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS), Becker e a mantenedora da Ulbra – a Comunidade Evangélica Luterana São Paulo (Celsp) - teve início na manhã desta terça-feira e segue à tarde.

A audiência ocorre na sede da Justiça Federal de Canoas e está sendo conduzida pelo juiz Guilherme Pinto Machado. Pela manhã, foram ouvidos Becker e o ex-secretário Fraga. Em seu depoimento, Fraga confirmou o desconto que uma de suas filhas teria ganho na instituição. Ela se formou, no ano passado, em Medicina. Fraga também disse que desconhece a distribuição das demais bolsas, atribuídas ao seu nome. Padilha teria feito a mediação de 13. No total, seriam mais de 40 bolsas de estudo.

À tarde, serão ouvidas outras sete testemunhas, entre elas a ex-assessora de Rubem Becker Sirlei Dias Gomes, que era responsável também pelo Núcleo de Educação à Distância da universidade. Em entrevista à reportagem da Rádio Guaíba, Sirlei adiantou que muitos pedidos chegavam à instituição e que alguns eram concedidos até mesmo a representantes políticos, “como é o caso do senador Sérgio Zambiasi (PTB), que ganhou o benefício para uma de suas filhas, depois que duas delas já haviam passado pela instituição."Foi como uma promoção", disse ela.

Maria Bernadete, autora da ação, não compareceu à audiência, sendo representada por seu advogado, Cristiano Figueiredo. Ela pede que a Justiça anule a decisão do CNAS (Conselho Nacional de Assistência Social) que, em 2008, concedeu à Ulbra o certificado de entidade filantrópica, no período de 2000 a 2003. A autora solicita ainda que a universidade pague cerca de R$ 1 bilhão em impostos devidos durante o período em que esteve imune da tributação.