Polícia

Bernardo foi proibido de falar sobre mãe, conta ex-professora

Três pessoas foram ouvidas no fórum de Três Passos

Juiz e promotora questionam Simone Müller durante depoimento em Três Passos
Juiz e promotora questionam Simone Müller durante depoimento em Três Passos Foto : André Ávila
Por Fernanda Pugliero

A segunda audiência de instrução na Comarca de Três Passos iniciou nesta segunda-feira por volta das 9h15min. A ex-professora de Bernardo no Colégio Ipiranga, Simone Müller, foi a primeira a depor. Ela relatou que o menino tinha problemas emocionais e tinha dificuldades para prestar a atenção em sala de aula. “A gente sabia de todos os problemas dele. Ele perdeu a mãe (Odilaine Ugulini) e foi proibido pelo pai de falar sobre ela logo no primeiro ano de falecimento”, contou. “Fora da sala de aula a gente via ele diferente do que era dentro da sala de aula. Para ele, sentar e prestar atenção em uma aula era difícil", explicou.

• Leia mais notícias sobre o caso Bernardo

Simone contou que Bernardo era amigo de seu filho, Lucas. Ela confirmou que Leandro Boldrini fora procurar o filho na noite de domingo, dia 6 de abril, dois dias após seu desaparecimento. Leandro teria ido primeiro ao restaurante da família, que fica na avenida principal da cidade. Após, foi à casa dos Müller questionar se Bernardo havia passado o final de semana ali.

“Eu estranhei a atitude. O Leandro não sabia de nada, se Bernardo tinha saído a pé, com mochila ou sem. Disse que ia procurar na casa de outros colegas. Quando o Leandro saiu lá (da casa dos Müller), meu filho comentou comigo: ‘mãe isso não está certo, o Bernardo nunca sai sem celular’”, afirmou Simone em seu depoimento. Ela disse que Leandro mencionara que o menino havia saído de casa sem celular.

Simone relatou ainda que telefonou sete vezes para Kelly, como Graciele Ugulini era conhecida na cidade, para saber do andamento das buscas pelo menino. Na segunda-feira, dia 7 de abril, nem o pai, nem a madrasta, apareceram na escola para procurar por Bernardo. Eles também não teriam telefonado.

Uma das rés do processo, Edelvânia Wirganovicz, chegou ao fórum do município por volta desse horário, mas não participou da primeira parte da audiência. As primeiras quatro testemunhas de acusação ouvidas – até o final do dia, serão sete – solicitaram ao juiz Marcos Agostini que Edelvânia não acompanhasse seus depoimentos.

Relacionamento distante com família

Logo após a fala de Simone, foi a vez de Rosani Neuhaus depor. Ela trabalha na secretaria do Colégio Ipiranga e conhecera Bernardo desde seus 3 anos. Na audiência, ela relembrou os últimos momentos com o menino. Ela costumava dar carona ao Bernardo até a escola. Na sexta-feira, 4 de abril, dia do crime, ela levou Bernardo até em casa após as aulas. “Ele estava bem feliz porque ia ganhar um aquário”, afirmou.

Rosani disse ainda que Bernardo nunca comentara com ela sobre o relacionamento com a família. Não falava sobre o pai, nem a madrasta. Quando perguntado, nunca respondia como estava a irmã, a bebê Maria Valentina. Na quinta-feira, 3 de abril, um dia antes do assassinato, foi a primeira vez que o menino teria comentado sobre Kelly com Rosani: Ele teria dito que a madrasta era uma chata. “Dentro de casa, eu não sei o que se passava. Essa foi a única vez que ele reclamou da Kelly.”

O depoimento seguinte foi de Juçara Petry, dona de uma loja de confecções em Três Passos. Segundo conhecidos do menino, Bernardo a considerava como uma segunda mãe. ­Juçara afirmou que o menino passava muito tempo com a sua família. Chegava a dormir, inclusive, 15 dias seguidos na casa dos Petry.

Em resposta a questionamentos da promotora Sílvia Jappe, Juçara relatou que o marido dela, José Carlos, ajudava o menino a resolver os temas da escola. Sobre o relacionamento de Bernardo com o pai e a madrasta, Juçara disse que não tinha conhecimento sobre os problemas. Diz ter ficado chocada após ter assistido aos vídeos recuperados do celular de Leandro. “Se eu soubesse o que ele passava em casa, teria sido diferente. Eu teria lutado por ele.”

Os depoimentos iniciam sempre com uma instrução do juiz aos depoentes. Os primeiros questionamentos são da promotora Sílvia Jappe, que começa perguntando como a testemunha conhecera o menino. Após, o assistente de acusação e advogado da avó materna, Marlon Taborda, questiona os depoentes. Os advogados de Graciele, Edelvânia e Evandro, até o momento, se abstêm de fazer perguntas. Afirmam que as provas do processo estão comprometidas.

Os novos advogados de Leandro Boldrini, Ezequiel Vetoretti e Rodrigo Vares estão fazendo perguntas. Até o final da tarde de hoje, sete testemunhas de acusação devem ser ouvidas. Na última semana, duas pessoas já prestaram depoimento por carta precatória. No dia 25 de agosto, outras quatro testemunhas de acusação já haviam falado à justiça.

Confira chegada de Edelvânia ao fórum:



Bookmark and Share