Polícia

Bernardo não podia comer quando madrasta cozinhava, relata amiga da família

Juçara Petry foi terceira testemunha a depor nesta segunda-feira em Três Passos

Bernardo não podia comer quando madrasta cozinhava, diz vizinha
Bernardo não podia comer quando madrasta cozinhava, diz vizinha Foto : Samantha Klein / Rádio Guaíba / Especial / CP
Um dos depoimentos mais emocionantes da audiência de instrução sobre a morte do menino Bernardo Boldrini, nesta segunda-feira, foi o de Juçara Petry, amiga da família. Ela foi a terceira testemunha a ser ouvida no fórum de Três Passos. Ela contou que o menino não podia se alimentar quando a madrasta Graciele Ugulini cozinhava. Apesar disso, Juçara disse que Bernardo nunca relatou qualquer ameaça por parte do pai ou de Kelly - apelido da madrasta.    

• Leia mais notícias sobre o caso Bernardo

Quando a palavra foi dada ao advogado de acusação, Marlon Taborda, Juçara contou que parte das roupas usadas por Bernardo no dia-dia foi dada por ela. Algumas malas foram levadas até o foro e a Juçara começou as buscar as peças que reconhecia.

Emocionada, retirava peças de roupa e observava com cuidado. O silêncio imperava na sessão, enquanto era possível ouvir apenas o choro baixo de Juçara. Em seguida, ela encontrou uma pilha de roupas onde estava o uniforme usado pelo menino na escola. "Eu dava estas roupas porque ele era um menino muito mal vestido. Estava sempre de manga curta", contou. 

Durante o depoimento, Juçara identificou um tênis que pertencia ao pai de Bernardo, Leandro Boldrini. Ela pegou o calçado marrom e mostrou ao juiz Marcos Luis Agustini. Ela relatou que o tênis era usado pelo menino e esclareceu que a peça era dois números maior.

Em resposta a questionamentos da promotora Sílvia Jappe, Juçara relatou que o marido dela, José Carlos, ajudava o menino a resolver os temas da escola. Sobre o relacionamento de Bernardo com o pai e a madrasta, Juçara disse que não tinha conhecimento sobre os problemas. Diz ter ficado chocada após ter assistido aos vídeos recuperados do celular de Leandro. “Se eu soubesse o que ele passava em casa, teria sido diferente. Eu teria lutado por ele.”

Bookmark and Share