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Quando a palavra foi dada ao advogado de acusação, Marlon Taborda, Juçara contou que parte das roupas usadas por Bernardo no dia-dia foi dada por ela. Algumas malas foram levadas até o foro e a Juçara começou as buscar as peças que reconhecia.
Emocionada, retirava peças de roupa e observava com cuidado. O silêncio imperava na sessão, enquanto era possível ouvir apenas o choro baixo de Juçara. Em seguida, ela encontrou uma pilha de roupas onde estava o uniforme usado pelo menino na escola. "Eu dava estas roupas porque ele era um menino muito mal vestido. Estava sempre de manga curta", contou.
Durante o depoimento, Juçara identificou um tênis que pertencia ao pai de Bernardo, Leandro Boldrini. Ela pegou o calçado marrom e mostrou ao juiz Marcos Luis Agustini. Ela relatou que o tênis era usado pelo menino e esclareceu que a peça era dois números maior.
Em resposta a questionamentos da promotora Sílvia Jappe, Juçara relatou que o marido dela, José Carlos, ajudava o menino a resolver os temas da escola. Sobre o relacionamento de Bernardo com o pai e a madrasta, Juçara disse que não tinha conhecimento sobre os problemas. Diz ter ficado chocada após ter assistido aos vídeos recuperados do celular de Leandro. “Se eu soubesse o que ele passava em casa, teria sido diferente. Eu teria lutado por ele.”