• Emoção marca sepultamento de Bernardo em Santa Maria
• Leia mais sobre o caso Bernardo
Dinamárcia esclareceu que a atitude do menino de procurar o Fórum de Três Passos para relatar falta de afetividade na família ocorreu muito depois de um trabalho interno realizado do Ministério Público (MP) do município. "O MP da cidade tomou a iniciativa de entrar neste caso em novembro de 2013, quando assistentes sociais comentaram que o Bernardo, um menino de classe alta de Três Passos, estava sendo negligenciado dentro da própria casa", explicou.
A promotora disse que solicitou um relatório do Conselho Tutelar e da escola em relação a Bernardo. Após perceber que faltavam informações, requisitou mais informações da avó. Por meio de um email, enviado pelo advogado, Jussara Uglione relatou que estava preocupado com o menino, que dormia e era alimentado na casa de terceiros.
A partir daí, um procedimento foi instaurado por Dinamárcia, que gostaria de ouvir o pai, a madrasta e a avó. "Solicitamos a presença de todos, mas como a avó tinha problemas de saúde e não poderia viajar por conta de uma recomendação médica, fizemos um pedido para a promotoria de Santa Maria ouvir a dona Jussara. Ela compareceu e explicou que Bernardo passava férias com a madrinha em Capão da Canoa e gostaria que o menino estivesse com ela na audiência. O problema que ocorreu foi que ela não conseguiu levar o menino", observou a promotora.
O primeiro contato
O primeiro contato entre Bernardo Boldrini e a promotora Dinamárcia ocorreu somente em 24 de janeiro, quando o menino, acompanhado por pessoas que trabalham no Fórum de Três Passos, procurou ajuda para fazer uma reclamação. "A minha primeira reação ao ver o Bernardo foi dizer a ele que já o conhecia e que estava tentando ajudar sem ele saber. Ele ficou surpreendido e sorriu. Depois disso, ele me contou que era xingado pela madrasta e que respondia também. Mas tudo aquilo o chateava. Em determinado momento, ele me disse que gostaria de ser cuidado por outra pessoa e nomeou uma família", recordou.
Com a negativa da segunda família para ficar com Bernardo provisoriamente, a promotora Dinamárcia ajuizou uma ação protetiva, pedindo para que a vontade de Bernardo fosse respeitada e que, por meio de uma liminar, a Justiça concedesse à avó a guarda do menino. "A audiência foi marcada para o dia 11 de fevereiro e lá o pai do menino se apresentou surpreso e assustado com a situação. Na ocasião, ele disse que não abria mão da guarda de Bernardo. O pai admitiu que o relacionamento entre o garoto e a madrasta era ruim, mas queria uma chance de reconquistar o carinho do filho", disse.
Segundo Dinamárcia, Bernardo só voltou aos cuidados do pai porque resolveu dar "uma segunda chance". Receoso, o menino ainda perguntou à promotora o que ele poderia fazer se algo de ruim acontecesse. "Eu disse a ele para procurar ajuda e correr para o Ministério Público. Ainda tínhamos uma audiência para o dia 13 de maio, que iria definir se o Bernardo ficaria ou não com o pai em definitivo, mas infelizmente ela não irá ocorrer", completou.