Chegou ao fim o primeiro dia de julgamento do bioquímico Ênio Luiz Carnetti, acusado de matar a esposa e o filho, na residência da família no bairro Tristeza, na Sul de Porto Alegre, em julho de 2012. Após o crime, Carnetti tentou se matar ao se jogar de uma ponte no Guaíba, mas acabou salvo por um pescador. A enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, de 39 anos, e o filho do casal, Matheus, de cinco, foram mortos a golpes de faca. O acusado chegou a participar do juri pela manhã mas, minutos depois, pediu para deixar o local. Ele retornou para o Presídio Central, onde cumpre prisão preventiva.
A ausência de esclarecimentos por parte do réu reforça a evidência de autoria dele no duplo homicídio, avaliou a promotora Lúcia Helena. “Causa surpresa a decisão do réu, que foi trazido, mas pediu para voltar ao presídio. Ele abdicou do direito de ser interrogado, de esclarecer os fatos… É um crime que chocou a todos nós”, avaliou.
Dos sete jurados, cinco são mulheres. Entre a manhã e tarde, prestaram depoimento cinco testemunhas de acusação e três de defesa, além do perito responsável pelo caso. Os promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim, do Ministério Público, e o advogado de defesa, Fabricio Guazzelli Peruchin, ouviram e indagaram as testemunhas até o início da noite. Após determinar a suspensão do júri, a juíza Taís Culau de Barros marcou a retomada do julgamento para as 9h desta terça, no Fórum Central.
Em meio ao processo, algumas qualificadoras da acusação caíram. Agora, o bioquímico responde por duplo homicídio qualificado por motivo torpe (ciúmes de Márcia) e por recurso que dificultou a defesa da vítima (o filho Matheus foi morto enquanto dormia). A pena máxima pode chegar a 60 anos de cadeia.
O advogado de defesa Fabricio Peruchin confirmou que só vai se manifestar ao fim do julgamento. Desde o início acompanhando o júri, a mãe de Márcia e avó de Matheus, Elisabeth Cambraia, de 65, reforçou o pedido de condenação. “Eu espero que haja Justiça. Foi uma coisa muito cruel que ele fez. Na época eu me lembro, o menino gostava tanto dele… E ele pode fazer de novo isso. Quem vai saber se ele se arrepende?”, lamentou.
Na terça-feira, os promotores terão uma hora e meia para sustentar a acusação. A defesa ganha o mesmo tempo para trabalhar pela absolvição. As partes ainda terão mais uma hora para réplica e tréplica. Em seguida, os sete jurados vão se reunir, em uma sala fechada, para proferir a sentença.
Bioquímico deixa julgamento antes de depor sobre morte de mulher e filho
Júri popular começou nesta segunda, cinco anos após crimes em Porto Alegre