Polícia

Bioquímico deixa julgamento antes de depor sobre morte de mulher e filho

Júri popular começou nesta segunda, cinco anos após crimes em Porto Alegre

Júri popular começou nesta segunda, cinco anos após crimes em Porto Alegre
Júri popular começou nesta segunda, cinco anos após crimes em Porto Alegre Foto : Cristine Fogliati / TJ-RS / Divulgação CP
Chegou ao fim o primeiro dia de julgamento do bioquímico Ênio Luiz Carnetti, acusado de matar a esposa e o filho, na residência da família no bairro Tristeza, na Sul de Porto Alegre, em julho de 2012. Após o crime, Carnetti tentou se matar ao se jogar de uma ponte no Guaíba, mas acabou salvo por um pescador. A enfermeira Márcia Cambraia Calixto Carnetti, de 39 anos, e o filho do casal, Matheus, de cinco, foram mortos a golpes de faca. O acusado chegou a participar do juri pela manhã mas, minutos depois, pediu para deixar o local. Ele retornou para o Presídio Central, onde cumpre prisão preventiva.

A ausência de esclarecimentos por parte do réu reforça a evidência de autoria dele no duplo homicídio, avaliou a promotora Lúcia Helena. “Causa surpresa a decisão do réu, que foi trazido, mas pediu para voltar ao presídio. Ele abdicou do direito de ser interrogado, de esclarecer os fatos… É um crime que chocou a todos nós”, avaliou.

Dos sete jurados, cinco são mulheres. Entre a manhã e tarde, prestaram depoimento cinco testemunhas de acusação e três de defesa, além do perito responsável pelo caso. Os promotores de Justiça Lúcia Helena Callegari e Eugênio Paes Amorim, do Ministério Público, e o advogado de defesa, Fabricio Guazzelli Peruchin, ouviram e indagaram as testemunhas até o início da noite. Após determinar a suspensão do júri, a juíza Taís Culau de Barros marcou a retomada do julgamento para as 9h desta terça, no Fórum Central.

Em meio ao processo, algumas qualificadoras da acusação caíram. Agora, o bioquímico responde por duplo homicídio qualificado por motivo torpe (ciúmes de Márcia) e por recurso que dificultou a defesa da vítima (o filho Matheus foi morto enquanto dormia). A pena máxima pode chegar a 60 anos de cadeia.

O advogado de defesa Fabricio Peruchin confirmou que só vai se manifestar ao fim do julgamento. Desde o início acompanhando o júri, a mãe de Márcia e avó de Matheus, Elisabeth Cambraia, de 65, reforçou o pedido de condenação. “Eu espero que haja Justiça. Foi uma coisa muito cruel que ele fez. Na época eu me lembro, o menino gostava tanto dele… E ele pode fazer de novo isso. Quem vai saber se ele se arrepende?”, lamentou.

Na terça-feira, os promotores terão uma hora e meia para sustentar a acusação. A defesa ganha o mesmo tempo para trabalhar pela absolvição. As partes ainda terão mais uma hora para réplica e tréplica. Em seguida, os sete jurados vão se reunir, em uma sala fechada, para proferir a sentença.