A Brigada Militar deu início a uma série de operações especiais contra o tráfico de drogas em Caxias do Sul. As ações contam com efetivos do 12º BPM, 4º Batalhão de Polícia de Choque, Batalhão de Operações Especiais (BOPE) e do Batalhão de Aviação da BM. Não há data prevista para o término as ofensivas.
A intensificação das operações tem como principal objetivo a prisão de integrantes de grupos criminosos que atuam no município da Serra Gaúcha. A expectativa da corporação é que as ações reduzam o número de crimes contra a vida.
Entre a noite de segunda-feira e a madrugada desta terça, teve início a Operação Corpo Fechado. A ofensiva recapturou um foragido e também prendeu outro homem, de 26 anos, por tráfico de drogas. Além disso, foram apreendidos um veículo roubado, um revólver calibre 38 , um revólver calibre .357, uma pistola calibre 9 milímetros – de uso restrito – com três carregadores, cinco munições deflagradas, 40 munições intactas, 169 porções de crack , 15 comprimidos de ecstasy, um tijolo de meio quilo de maconha , uma porção de cocaína e R$ 3,51 mil em dinheiro.
Ainda na madrugada desta terça-feira, foram registrados dois homicídios em Caxias. O primeiro caso ocorreu próximo às 00h15min no rua da Felicidade, no bairro Nossa Senhora das Graças. Na ocasião, a BM foi despachada para atender a uma ocorrência envolvendo disparos de arma de fogo. Ao chegarem no local, os soldados encontraram o corpo de um homem, de 56 anos, caído no chão com perfurações de tiros. Ninguém foi preso.
A segunda ocorrência foi registrada às 04h37min, na rua Amadeo Rossi, também no bairro Nossa Senhora de Fátima. A vítima foi identificada como Daniel Silva da Silveira, de 24 anos. Ele foi esfaqueado e morto enquanto guiava um carro. O autor do crime seria o passageiro, que fugiu e ainda não foi localizado.
Caxias do Sul já registrou 27 homicídios desde o início do ano. Em janeiro, o mês mais violento dos últimos seis anos na cidade, foram foram 17 mortes. Já em fevereiro, foram registradas 10 mortes em 13 dias.
A Polícia Civil não descarta que as execuções tenham relação com as mortes de dois líderes do tráfico na Serra gaúcha. O primeiro deles tinha 40 anos e era apontado como o maior distribuidor de crack de Caxias do Sul. Ele foi morto com pelo menos dez disparos, em junho do ano passado. A quadrilha dele teria vínculos com uma facção surgida no bairro Bom Jesus, na zona Leste de Porto Alegre, mas que também criou ramificações na Serra.
No mês seguinte à morte, em julho, ocorreram 12 homicídios em Caxias. A maior parte dos casos foi tratado como retaliação.
Segundo as investigações, um novo ciclo de violência teve início a partir do último dia 6 de janeiro, com a morte de outro homem, de 33 anos, apontado como liderança de uma facção rival, essa com base no Vale do Sinos. Ele foi morto a tiros em um posto de gasolina na RS 122, em São Vendelino.
A execução ocorreu horas após a saída dele da Penitenciária Estadual de Caxias do Sul (Pecs). O detento era suspeito de envolvimento no assassinato do líder rival em 2023.