Mais de 150 policiais militares e civis cercam áreas de mata no Vale do Rio Pardo. O alvo é o último fugitivo envolvido no assalto a uma agência bancária em Amaral Ferrador, ocorrido na quarta-feira. Outros três assaltantes foram presos em Encruzilhada do Sul. Além deles, um suspeito foi conduzido para prestar depoimento. As forças de segurança não descartam o envolvimento de mais comparsas.
O quinto investigado é um homem, de 23 anos, que teria participação no roubo do Ford Ecosport utilizado na fuga dos quatro ladrões de banco. Ele foi detido na quinta-feira, próximo às 17h10min, na área urbana de Encruzilhada do Sul. O automóvel havia sido roubado em Pantano Grande na semana passada.
De acordo com o subcomandante geral da BM, coronel Douglas Soares, o suspeito foi liberado após prestar depoimento na DP de Encruzilhada do Sul. “Ele foi conduzido para averiguação e depois solto. Os desdobramentos da investigação agora ficam por conta da Polícia Civil. Demos início a um trabalho coletivo entre as inteligências da PC e da BM, porque a operação só é possível a partir da integração das forças de segurança no Vale do Rio Pardo”, destacou o oficial em entrevista à Rádio Guaíba.
Às 17h20min, também na quinta, um dos assaltantes, de 22 anos, foi preso no perímetro do cerco realizado pelos policiais. Com ele, foram encontrados um fuzil calibre 556, 20 munições de fuzil, uma pistola, dez munições de pistola e um colete balístico.
Ainda na mesma data, já durante a noite, às 21h50min, foi presa uma dupla que participou do ataque. Os homens tem 24 e 22 anos. Os dois foram capturados na zona rural de Encruzilhada do Sul, durante as buscas realizadas pelo cerco policial. Com eles, foram encontrados uma pistola, dois carregadores de pistola e uma quantia em dinheiro.
Após as quatro prisões, pelo último assaltante prosseguem. Participam da ação policiais militares do Comando de Polícia Ostensiva do Vale do Rio Pardo (CRPO-VRP), com efetivos locais e de municípios vizinhos do Comando de Polícia Ostensiva do Sul (CRPO-Sul).
A operação conta ainda com efetivos do Comando de Polícia de Choque (CPChq), duas aeronaves do Batalhão de Aviação (BAvBM) e Batalhão de Operações Especiais (Bope), Comando Rodoviário (CRBM) e Comando Ambiental (CABM). Além disso, policiais civis do Departamento Estadual de Investigações Criminais (Deic) também apoiam as tropas.
Sem antecedentes semelhantes
Conforme a Polícia Civil, nenhum dos quatro homens que assaltaram o banco possuía antecedentes por crimes semelhantes. A instituição aponta que os criminosos têm passagens criminais, mas não em casos de repercussão. Eles também não seriam integrantes de facção e nem fariam parte de uma quadrilha especializada em ataque a bancos.
O assalto ocorreu na quarta-feira, próximo às 10h, na rua Praça Quatro de Maio, no Centro do município de Amaral Ferrador. A quadrilha não teria conseguido acessar os cofres, mas levou parte do dinheiro dos caixas.
Antes da fuga, aproximadamente 20 pessoas foram feitas reféns dentro do estabelecimento. Na parte exterior, um cordão humano com pelo menos dez vítimas foi formado, para evitar a aproximação dos policiais. Os assaltantes portavam duas armas longas, sendo dois fuzis, e mais duas pistolas. Eles dispararam pelo menos cinco tiros para o alto, na intenção de assustar os moradores.
Dois reféns, sendo o gerente e um caixa do banco, foram levados no automóvel. Próximo às 13h, os reféns foram soltos em uma estrada onde foram resgatadas pelos soldados. Os dois passam bem.
Houve perseguição em direção ao município vizinho, Encruzilhada do Sul, que fica a 57 km de Amaral Ferrador. Os criminosos ainda tentaram arremessar o veículo contra as viaturas, que formavam uma barreira e tiveram que desviar.
Após troca de tiros, como estavam em alta velocidade, os fugitivos perderam o controle do veículo, que capotou e foi abandonado. Os bandidos fugiram a pé e se esconderam em uma área de mata.
Amaral Ferrador tem 5,3 mil habitantes e fica a 190 km de Porto Alegre. É a terceira vez que a mesma agência bancária é assaltada. Ações semelhantes foram realizadas por bandidos armados nos meses de maio, em 2021 e 2022. O município já registrou cerca de oito assaltos do tipo nos últimos 15 anos.
A ocorrência é tratada pelos policiais como ‘novo cangaço’. O crime tem por padrão ser realizado em cidades pequenas, com menos efetivo policial, envolvendo assalto a agências bancárias cometidos por quatro criminosos ou mais.