Polícia

BM instaura inquérito, mas diz que dados acessados por sargento não são sigilosos

Deputado não descarta criação de CPI na Assembleia para investigar o caso

A Corregedoria da Brigada Militar informou que foi instaurado Inquérito Policial Militar (IPM) para investigar a conduta do sargento César Rodrigues, acusado pelo Ministério Público (MP) de acessar dados sigilosos do Sistema de Consultas Integradas de Segurança Pública. Segundo o Coronel Manoel Vicente Ilha Bragança, o caso já está com o Tenente-Coronel Valmor Araújo de Melo. Diferente do que entende o MP, porém, o Coronel Bragança entende que os dados acessados não são sigilosos. “A questão é a maneira como são utilizados”, explicou.

Bragança alega que centenas de policiais civis e militares têm acesso às informações para utilizarem exclusivamente no trabalho.  O oficial garantiu que a informação de que o sargento atuava ilegalmente nunca chegou à cúpula da BM. O promotor Amilcar Macedo explicou que um oficial ouvido garantiu que o comandante da BM estava a par do caso.

O IPM deve ser finalizado entre 40 e 60 dias. Nesse período, informou Bragança, a BM vai avaliar se superiores do sargento também vão ser investigados. O coronel não quis avaliar qual o futuro do policial na corporação.

Deputado não descarta CPI na Assembleia para o caso

O deputado Luis Augusto Lara (PTB) classificou como "arapongagem de baixo nível" os acessos ilegais promovidos pelo sargento César Rodrigues. O parlamentar destacou que o PM foi incompetente. Segundo Lara, a preocupação maior é com relação às pessoas que tiveram a privacidade invadida.

Lara ainda exigiu que a Secretaria da Segurança ou o Comando da Brigada Militar tome as medidas cabíveis e antecipou repercussão do caso na Assembleia Legislativa através de uma sindicância ou até mesmo de uma CPI. Conforme o deputado, o sargento deve ser chamado para explicar a finalidade das ações.

Sargento acessou até fotos de crianças

O que mais chamou a atenção da força-tarefa que investiga o caso foram acessos a informações e fotografias de crianças, filhas de deputados e de uma desembargadora, que tiveram seus nomes preservados. Mesmo que os dados sejam os de identificação, endereço, existência de processos, débitos ou problemas com a polícia e a Justiça, considerados "ferramentas" para o trabalho policial, o promotor Amilcar Fagundes Freitas Macedo, coordenador da Operação Agregação, considerou que o sargento excedeu seus limites de servidor voltado para a segurança da governadora e da família dela."Que tipo de insegurança uma criança poderia causar à governadora?", questiona Macedo, que considera que acessos que não tiveram a finalidade de Estado, como busca de réus ou fugitivos, e violaram dados sigilosos.

O promotor diz que só a sequência da investigação vai revelar quais as intenções o sargento tinha e que uso fazia ou faria dos dados. Por enquanto, não estão descartadas hipóteses como busca de motivos para chantagem ou pressão sobre pessoas comuns ou autoridades para fins econômicos ou políticos. Macedo acredita que o militar não agia sozinho. "Acho que há uma cadeia de comando aí", afirma.

Também hoje, o promotor informou que o órgão tem um vídeo que mostra o sargento César Rodrigues de Carvalho recebendo propina de um empresário ligado ao ramo de jogos de azar, em Canoas

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