Polícia

BM pede para população não agir para combater vandalismo

Moradores e comerciantes da Cidade Baixa saíram às ruas para evitar depredação em meio a protestos

O chefe do Estado Maior, Cel. Alfeu Freitas e o diretor do DPM, Del. Vicente Vargas Nunes durante entrevista coletiva sobre recentes manifestações
O chefe do Estado Maior, Cel. Alfeu Freitas e o diretor do DPM, Del. Vicente Vargas Nunes durante entrevista coletiva sobre recentes manifestações Foto : Claudio Fachel/Palácio Piratini/CP
A atitude de alguns moradores e comerciantes do bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, que reagiram para tentar impedir a depredação de vândalos em mais uma noite de protestos nessa quinta-feira, foi reprovada pelas autoridades da segurança pública do Estado. “Por favor, comunidade, não se organize desse jeito. Se organizem para colaborar com as forças públicas”, pediu o comandante do Estado Maior da Brigada Militar, coronel Alfeu Freitas, em entrevista coletiva nesta sexta-feira.

Uma das vias mais tradicionais do bairro boêmia, a rua João Alfredo, foi ocupada por cerca de 30 pessoas que se posicionaram lado a lado para impedir a chegada de vândalos, que se espalharam pelas ruas do Centro após o início da manifestação, que começou de forma pacífica na Praça da Matriz. Apesar do susto e devido aos últimos prejuízos, um grupo de moradores e comerciantes tentou impedir a depredação, se armando com pedaços de pau e ferro. "Não incentivamos que moradores, organizações de bairros, tenham essa atitude", sustentou Freitas.

Ruas do eixo central da Capital amanheceram com um rastro de destruição deixado pelo grupo violento que danificou carros particulares, contêineres de lixo e estabelecimentos comerciais. Apesar dos estragos, não houve saques, ressaltou o coronel Freitas. “Essas ações de polícia ostensiva minimizaram a ações dos vândalos. Agora nós queremos qualificar o atendimento e estar onde os vândalos estão”, destacou.

Ainda assim, houve confrontos. Entre os feridos, uma adolescente precisou ser socorrida e levada ao Hospital de Pronto Socorro (HPS) por intoxicação de gás - utilizado para dispersar a multidão. Um policial militar foi atingido por uma pedra no rosto.  "Cavalos foram agredidos com garrafas e pedras, mas nenhum precisou ser sacrificado", acrescentou.

No total, 18 pessoas foram detidas na ação policial. Cinco foram presas em flagrante, um menor foi apreendido e apresentado ao Ministério Público (MP) e outros sete adolescentes foram entregues aos familiares. Além disso, duas pessoas assinaram termo circunstanciado e foram liberadas e três seguem sendo investigadas. Desde a semana passada, 15 já foram indiciadas, informou o diretor do Departamento de Polícia Metropolitana, delegado Vicente Nunes.

Ainda assim, a BM avalia como positiva a ação durante o protesto. "Sim, problemas ocorreram na Cidade Baixa e no Centro. Temos certeza da redução que houve sobre os locais danificados", ponderou o coronel Freitas. "Pela ação ostensiva, muito do dano à vida e ao patrimônio foi preservado", sustentou.

Pela quinta vez, ato começa pacífico e termina em confronto

Desde o início das mobilizações, um grupos de vândalos tem se infiltrado na massa popular e atacado prédios públicos e privados, agências bancárias e estabelecimentos comerciais. Pela quinta vez em duas semanas, a manifestação de ontem começou pacífica e terminou em confronto.

Desta vez, a concentração dos manifestantes foi na Praça da Matriz, em frente ao Palácio Piratini, sede do governo do Estado. Conforme estimativas da BM, a área chegou a ser ocupada por cerca de 5 mil pessoas.

A mobilização teve, inclusive, shows musicais e apresentações culturais. O governador Tarso Genro chegou a se reunir com alguns dos manifestantes para ouvir a pauta de reivindicações. Tarso prometeu dar uma resposta até o final da próxima semana e reconheceu que há neonazistas se aproveitando do movimento social para incitar conflitos e violência.

Instantes após o encontro com o governador, a confusão começou. Centenas de pessoas se dispersaram por ruas do Centro. No viaduto da avenida Borges de Medeiros, houve um conflito forte com a BM. Em seguida, vândalos foram à Cidade Baixa. Carros foram quebrados e outros tiveram objetos furtados.

Para o comércio, as perdas ultrapassam os R$ 3 milhões
. Há ainda estimativas de queda de 60% no faturamento, já que as lojas acabam fechando mais cedo em dias de manifestações. A prefeitura da Capital já calcula em mais de 950 mil os prejuízos gerados com a queima e destruição de contêineres, pichações e depredações de prédios públicos.

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