De acordo com o coronel, o efetivo padrão na cidade é de 600 policiais militares (PMs) por turno de seis horas e 12 viaturas. “Eu não tenho como multiplicar o efetivo. O que altero é o planejamento. O policiamento existe, mas ele é flexível. Colocamos o pessoal conforme a demanda”, explicou. Cabrera lembrou também que após várias ações da polícia feitas na área, o número de crimes havia diminuído. “Passamos um tempo sem ocorrências.”
O comandante disse que esse tipo de assalto em bares movimentados, comum no Rio de Janeiro, é novo no Rio Grande do Sul. “Isso nos preocupa”, afirmou. Ele avaliou que os criminosos agem procurando oportunidades. “Eles devem ter escolhido esses locais, em tese, pela característica. Analisando rotas de fuga e se o bar é frequentado por pessoas mais aquinhoadas.”
Ataques não estão relacionados à falta de policiamento, analisa especialista
Sobre a ocorrência dos arrastões em Porto Alegre, a professora do curso de Ciência Política da Universidade do Rio Grande do Sul (Ufrgs), Lígia Mori Madeira, que estuda violência e criminalidade, avaliou que pode estar ocorrendo uma “globalização do crime”. Segundo a professora, há uma grande divulgação dos arrastões em Ipanema, no Rio de Janeiro. Para ela, a visibilidade desse tipo de assalto, relativamente fácil, pode motivar ataques semelhantes em outras capitais. Lígia, no entanto, não acredita que a presença de policias deva inibir os criminosos. “Não adianta ter um policial na esquina, porque eles assaltam dentro dos locais.” De acordo com ela, nem mesmo a punição faz restringir esse tipo de ataque. “O sistema judicial acontece, mas esse trânsito é lento. A gente sabe também que a prisão não faz reduzir a criminalidade”, acrescentou.
Lígia comentou ainda que esses assaltantes têm um perfil diferente do que os que agem nas ruas. No caso dos ataques à Cidade Baixa, os criminosos eram jovens e bem vestidos. “Esse fenômeno tem acontecido cada vez mais e pode ser relacionado a uma série de fatores, como perda de valores, crise das instituições, um certo vazio cultural sem muita expectativa e sensação de liberdade.
Prevenção
Tanto o comandante da Brigada Militar como a especialista Lígia Madeira disseram que a tendência é de que os estabelecimentos invistam agora cada vez mais na segurança privada. “Nós não teríamos condição de colocar segurança em cada bar, mas eles podem contribuir com câmeras, porque essa tecnologia inibe muito”, afirmou Cabreira.
O titular da 1ª Delegacia de Polícia, Cesar Jardim, falou que não há muito o que fazer para se prevenir dessa nova modalidade de ataque, mas destacou que os clientes das casas noturnas e bares devem ter zelo e levar o mínimo de dinheiro e jóias possível. Além disso, a orientação é não reagir para evitar riscos maiores, como um tiroteio, por exemplo.
Jardim informou que já ouviu testemunhas e que está trabalhando para levantar imagens de câmeras de segurança do entorno dos dois estabelecimentos.
Assaltos
Cinco homens armados com revólveres invadiram o bar Matita Perê, na rua João Alfredo, bairro Cidade Baixa, em Porto Alegre, por volta da meia-noite de sábado para domingo – horário em que havia centenas de pessoas nas proximidades, onde ficam localizadas diversas casas noturnas. O bando rendeu clientes e funcionários e, em poucos minutos, roubou R$ 1,3 mil do caixa do estabelecimento, que estava lotado, e agrediram uma das clientes.
Uma estudante, que comemorava o aniversário de 22 anos, levou um tapa no rosto quando os criminosos anunciaram assalto. “Eles a agrediram para serem levados à sério”, conta uma testemunha, que estava na mesma mesa, que só não foi roubada porque sua bolsa estava no chão. “Foi muita sorte.” Segundo outra testemunha, os assaltantes não levantavam suspeitas: “Eles estavam bem vestidos e parecia que iriam à uma festa”.
Já no final da noite desse domingo, três homens assaltaram a lanchonete Papa Lanches II, na rua da República com João Alfredo, no bairro Cidade Baixa. Após se passarem por clientes, eles anunciaram o assalto e roubaram os pertences de duas pessoas, um atendente e o dinheiro do caixa. Na saída, o grupo baixou a cortina para evitar que fosse observado no momento em que executava a fuga. Durante o crime, funcionários foram agredidos, mas sem gravidade. A polícia acredita que este caso possa ter relação com o que aconteceu na João Alfredo.