O trabalho da investigação sobre o pacto de suicídio entre adolescentes de Canela e Gramado está contribuindo para evitar novos casos, mas boatos aterrorizam a população das duas cidades e deixam autoridades em estado de alerta. No dia 23 e no dia 26 de setembro, uma adolescente de Canela e outra de Gramado tiraram a própria vida.
Mensagens falsas sobre mais casos de suicídio são espalhadas pelas redes sociais. Em rodas de conversa, o assunto mais comentado é o pacto juvenil e as possíveis motivações. Segundo a Polícia Civil, os boatos acabam atrapalhando as investigações. Afinal, todas as informações precisam ser averiguadas. O delegado de Gramado, Gustavo Barcellos, reforça a complexidade, gravidade e seriedade do caso. Ele confirma a existência do pacto. Barcellos frisa que os jovens envolvidos apresentam problemas e frustrações individuais, mas que encontram identificação no grupo. “O pacto de confidencialidade mantido entre eles está atrapalhando as investigações. Sabemos que eles têm algo a dizer, mas não estão relatando.”
O delegado de Canela, Vladimir Medeiros, salienta que as investigações — conduzidas de forma paralela nas duas cidades — reuniram um amplo material que indica a existência do pacto e a ligação entre os casos. Além de ter acesso a conversas entre jovens pela Internet, a Polícia Civil recolheu celulares das vítimas e continua ouvindo adolescentes, familiares e testemunhas. A mãe de uma das vítimas diz que a filha fez menção sobre um pacto somente um dia antes de consumar o suicídio. De acordo com ela, a adolescente estaria sob o efeito de medicação antidepressiva quando proferiu palavras e expressões sem sentido. O remédio de uso controlado teria sido levado por uma colega e foi ingerido em alta dosagem na escola.
Outros colegas de aula também ingeriram a medicação. “Jamais imaginamos que ela pudesse tomar essa decisão. Ela era alegre”, afirma a mãe.