Polícia

"Brigada Militar não tem culpa", diz irmão de homem morto com arma de choque na zona Sul de Porto Alegre

Eduardo dos Santos Peixoto, 39 anos, morreu atingido por dardo de Taser durante surto seguido de invasão a domicílio no bairro Campo Novo

Porta arrombada em casa onde homem morreu na zona Sul de Porto Alegre
Porta arrombada em casa onde homem morreu na zona Sul de Porto Alegre Foto : Marcel Horowitz / Especial CP

O irmão de Eduardo dos Santos Peixoto, 39 anos, morto com disparo de pistola Taser na zona Sul de Porto Alegre, isentou a Brigada Militar de responsabilidade no desfecho da ocorrência. Na manhã desta sexta-feira, poucas horas após o caso, ele disse à reportagem do Correio do Povo que seu familiar passava por tratamento psiquiátrico, estando em surto quando invadiu a casa de vizinhos, no bairro Campo Novo.

"Sei que abordagens com morte estão em evidência ultimamente, mas os policiais agiram de modo correto nesse caso. Meu irmão estava em surto e, por isso, foi utilizada uma arma de choque na tentativa de contê-lo. Eles atuaram conforme o estabelecido para procedimentos assim. A Brigada Militar não tem culpa no que aconteceu”, desabafou o parente, com semblante abatido e voz fraca.

Eduardo era formado em administração. Havia sido preso em 15 de maio do ano passado, por infração da Lei Maria da Penha, mas não tinha envolvimento com facções nem qualquer tipo de outros crimes. Após o indiciamento, era monitorado com tornozeleira eletrônica. Também depois disso, passou a sofrer de dependência química.

"Isso é um exemplo de como as drogas destroem a vida das pessoas. Eduardo era um homem bom, estudioso e trabalhador. Não fazia mal para ninguém. O que ocorreu foi uma tragédia”, lamentou um vizinho.

Eduardo arrombou a porta dos fundos de um imóvel que fica ao lado do seu, onde moram um casal com filho de um ano e os avós do bebê, na rua Ozório José Martins, por volta das 4h50min. Ali, insistiu em permanecer no recinto, mas sem ameaçar a família. Teria ficado agressivo com a chegada das guarnições.

As testemunhas dizem que o intruso tinha falas desconexas, alegando que não aceitaria ser imobilizado, momento em que houve luta corporal dele com PMs. Morreu após receber descarga da arma de choque. De acordo com a Polícia Civil, não é descartado que a causa da morte tenha sido parada cardíaca, com possível influência de eventual uso de substâncias na soma da corrente elétrica, o que só poderá ser confirmado através de exames do Instituto-Geral de Perícias (IGP).

"Vamos apurar exatamente o que aconteceu, por meio de oitivas e dos laudos periciais. Estes serão essenciais na compreensão dessa morte, determinando ainda se houve, ou não, nexo causal entre falecimento e uso do equipamento não letal”, ponderou a delegada titular da 6ª Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), Marcela Ehler, à frente do inquérito.