Polícia

Brigada Militar quer adquirir 20 botes infláveis para ajudar nos desastres climáticos no Rio Grande do Sul

Governo gaúcho espera destinar R$ 1,1 milhão para a recomposição da frota

A Brigada Militar (BM) pretende adquirir até 20 botes infláveis para serem utilizados nas operações de desastres climáticos no Rio Grande do Sul. As embarcações vão ser agregadas à frota da corporação a partir deste ano.

O processo de aquisição, que é inédito na Brigada Militar, já tem fornecedor e preços já definidos. No momento, a última etapa é a emissão de Ordem de Fornecimento de Bens (OFB), que tramita no governo do Estado. A compra tem previsão de ocorrer no primeiro semestre, conforme a instituição.

O investimento total da aquisição é de quase R$1,2 milhão, com recursos do Fundo do Plano Rio Grande (Funrigs) e emendas parlamentares.

Segundo consta na Ata de Registro de Preços da proposta, ainda não publicada na Central de Licitações (Celic) da Secretaria de Planejamento, Governança e Gestão (SPGG), a BM poderá adquirir um total de 20 barcos. As unidades são do tipo bote inflável semirrígido em PVC, com fundo rígido em fibra de vidro e casco em formato de “V”, também em fibra de vidro, além de motor de popa 30 HP e tanque para 24 litros de combustível. Cada exemplar comporta até seis tripulantes, com capacidade de sustentar aproximadamente 900 quilos.

A empesa contratada, que tem sede em Curitiba, no Paraná, já tinha vencido outro pregão em território gaúcho, no ano passado, fornecendo os mesmos botes infláveis ao Corpo de Bombeiros Militar (CBM).

A fornecedora também ficará responsável por ministrar treinamento aos PMs, assim como instruções de uso, operação e manutenção dos botes. O local das aulas ainda não foi definido mas, no ano passado, após a entrega do material aos bombeiros, houve treinos no Guaíba e Rio Tramandaí. A duração do curso preparatório é de dois dias.

Botes serão destinados ao Comando de Polícia Ambiental

Todos os botes serão destinados ao Comando de Polícia Ambiental (CPAmb) da BM, sendo distribuídos em três batalhões e três Companhias Independentes, em Porto Alegre, Santa Maria, Passo Fundo, Santa Rosa, Caxias do Sul e Pelotas. Somado a isso, nos demais municípios gaúchos, o efetivo terá a possibilidade de atuar com esses produtos em 39 divisões de destacamento.

De acordo com o coronel e comandante do CPAmb, Márcio Luiz da Costa Limeira, a demando por botes infláveis surgiu nas enchentes de 2024. Isto porque, segundo o oficial, as medidas de 3,8 metros de comprimento e 1,6 metros de largura facilitam ações em áreas urbanas, proporcionando maior eficiência em resgates.

"Já dispomos de lanchas e barcos de grande dimensão, mas a falta de embarcações menores foi uma das nossas principais dificuldades na enchente. Isto ficou evidente em ações nos bairros Menino Deus, em Porto Alegre, e Guarujá, em Canoas, por exemplo, onde precisamos navegar entre carros e casas submersas. Na época, recebemos apoio dos policiais vindos de São Paulo, mas os barcos deles eram muito grandes e os batiam com o casco no asfalto. Esses botes que vamos comprar são muito úteis para locomoção em águas com obstáculos, mas essa necessidade ainda não havia surgido antes de 2024, quando seria inimaginável fazer policiamento embarcado no meio das cidades”, pontua.

Maior economia e agilidade nas ações

Costa Limeira acrescenta que as aquisições também serão empregadas em ocorrências de rotina, assim como na atuação ao lado de outras instituições, estaduais e federais. Outra aposta dele é na economia de recursos com deslocamento e na maior agilidade das ações.

"Esses botes são utilizados em cursos de água mais tranquilos, como barragens. Ainda serão úteis para fiscalização em casos, por exemplo, de desmatamento. Ao invés de fazer um deslocamento em maior distância com viaturas e do gasto considerável de combustível, vamos só atravessar um rio, poupando tempo e recursos. Fato é que o uso de embarcações já faz parte de nossa rotina operacional de combate ao crime. Junto à Marinha do Brasil, fazemos o controle de áreas internas, combatendo o tráfico de armas e drogas. Atualmente, a BM é referência de patrulhamento embarcado”, enfatiza o comandante do CPAmb.

A estimativa é que os botes sejam entregues ao longo do ano, de forma gradual. “A partir da Ordem de Fornecimento de Bens (OFB), o prazo de entrega do fornecedor acaba sendo dilatado, até porque o não cumprimento gera multa. Acredito que vamos receber os primeiros botes já na primeira metade do ano, com a chegada do restante nos meses seguintes”, avaliou o coronel Márcio Luiz da Costa Limeira.