Polícia

Brigada Militar trabalha para evitar ataques de comparsas de Jura

Corporação aumentou o policiamento no Campo da Tuca

O aumento do policiamento no Campo da Tuca, considerado pelas autoridades como reduto de Juraci Oliveira da Silva, o Jura, 35 anos, leva a acreditar que a Brigada Militar tenta evitar que pessoas ligadas ao acusado cometam atentados contra postos da BM ou à Delegacias de Polícia em resposta à prisão do traficante. Jura foi detido nesta semana no Mato Grosso do Sul, mas tem potencial suficiente para desencadear uma onda de ataques, como os ocorridos em 2009 a um posto da Brigada, na zona Norte, e este ano a uma DP na zona Sul da Capital.

Grupos de traficantes - sem ligação com Jura, em princípio -, que não aceitaram o trabalho da polícia de “estourar” pontos de venda de drogas, promoveram os ataques. No primeiro caso, foram traficantes que cometeram o crime em resposta ao trabalho da BM de combate ao tráfico. No ataque a delegacia da zona Sul, esta possibilidade também não é de todo descartada. Um suspeito de ter participado do atentado contra a delegacia, segundo autoridades da área da Segurança, já teria sido identificado.

Mesmo que os ataques a lugares que representam a lei não sejam iguais aos perpetrados no Rio de janeiro ou São Paulo, por trás disso está a insatisfação de grupos que lutam pela hegemonia do tráfico de drogas e não querem ver o seu “negócio” interrompido por policiais. Em abril de 2009, traficantes do complexo de vilas existente no bairro Humaitá, resolveram afrontar a BM. O posto avançado do 11º BPM, situado na avenida A. J. Renner, foi alvejado por tiros em duas ocasiões distintas.

O último ataque foi em abril, traficantes das vilas Farrapos, Areia, Humaitá e Mário Quintana, resolveram se unir e atacar o destacamento. Dois homens, posteriormente presos, desferiram vários disparos contra o prédio, acertando a porta e os vidros de duas viaturas. Ninguém ficou ferido, mas os PMs que ali estão lotados passaram a usar coletes à prova de balas initerruptamente. Antes, o posto já havia sido alvo de atentado a tiros em 27 de fevereiro, sem vítimas também.

Logística

O atual subcomandante da BM, coronel Jones Clixtrato dos Santos, que na época do atentado era titular do Comando de Policiamento da Capital (CPC), analisou o atentado naquele ponto específico. Segundo ele, do ponto de vista logístico, a região é muito importante para o tráfico de entorpecentes, pois é a entrada da Capital. “O narcótico que vem de outras cidades é descarregado primeiro nas vilas do complexo do Humaitá, para depois ser espalhada para o resto da cidade”, explicou. “E ações de combate ao tráfico estragam o negócio deles (criminosos)."

O último atentado ocorreu na madrugada de 19 de abril deste ano, contra a 7ª DP, em Belém Novo. Em um ataque considerado ousado pelas autoridades, a delegacia foi atacada a tiros e, possivelmente, coquetel molotov. O prédio foi atingido por, pelo menos, seis tiros, quebraram janelas e atingindo paredes internas. Duas viaturas, que estavam nos fundos da DP, foram incendiadas.

Segundo foi apurado pela Polícia, o atentado foi feito por dois homens, que tripulavam uma motocicleta. Apenas uma funcionária estava no prédio. Ela não ficou ferida. Atentos, os criminosos tiveram paciência para esperar que os policiais militares, que registravam uma ocorrência, saíssem da DP, para depois agir. O homem que estava na carona da moto teria levantado o corpo e, com o veículo em movimento, desferiu os tiros com duas armas. A ação foi muito rápida, sem tempo para reação da plantonista, que apenas abaixou-se para se proteger das balas.