Polícia

Brigas de trânsito ainda são comuns

Em alguns casos as discussões ao volante ultrapassam o trivial bate-boca e viram casos de Polícia

 As brigas de trânsito ainda são comuns nas grandes cidades brasileiras. E em alguns casos as discussões ao volante ultrapassam o trivial bate-boca e viram casos de Polícia, por atitude violenta de um dos condutores. No final de setembro, um homem morreu após ser esfaqueado durante uma discussão de trânsito na zona Sul de Porto Alegre. Ele chegou a ser encaminhado para o Hospital Cristo Redentor, mas morreu após ficar 20 dias internado. Em outro caso, registrado no final de setembro, o motorista de um ônibus destruiu um automóvel com uma barra de ferro após ter a frente do coletivo cortada pelo condutor do automóvel. O fato ocorreu em Porto Alegre e parte da briga foi gravada por passageiros do ônibus. Neste caso não teve morte.

A Brigada Militar ressalta que não há dados precisos quanto a este tipo de ocorrência, por ser um registro muito específico e que pode ser classificado como acidente de trânsito ou lesão corporal. “Dificilmente cita ter ocorrido uma briga”, afirma o chefe do Estado-maior do Comando de Policiamento da Capital, tenente-coronel Altemir Silva de Lima.
Para entender a reação violenta é preciso considerar o trânsito como um espaço social, diretamente atrelado às relações humanas, salienta o chefe da coordenadoria psicológica e médica do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Paulo Afonso Santos Filho. “O trânsito funciona como um espaço de interação social entre pessoas que estão coabitando este local”, analisa “As pessoas, às vezes, têm interesses divergentes e quando isso acontece pode haver alguma desavença.”

Atitudes explosivas não se devem a uma situação específica, como o trânsito, mas ao comportamento e à personalidade de cada pessoa. “Vemos esfaqueamento em casa ou na rua, mas não necessariamente devido ao trânsito”, comenta Santos. “O ser humano ao viver com os outros e, em determinadas situações, pode ter condutas agressivas.”

O estresse deixa a pessoa irritada e contribui para comportamentos agressivos. Para o psicólogo, o surgimento desse sentimento pode vir do próprio trânsito, devido aos engarrafamentos, acabando por minar a paciência dos motoristas, gerando um cansaço. “Quando estamos à vontade no volante, temos uma visão de transitar, não de permanecer”, diz. “Imaginamos nos deslocarmos de um ponto ao outro sem demora, o que fica comprometido nos grandes centros.”

Uma discussão banal levou à morte
Foi em uma briga de trânsito que Felício Vanderlei Borges, 48 anos, proprietário de uma lavagem de carros, foi esfaqueado. O crime ocorreu no loteamento Chapéu do Sol, bairro Belém Velho, zona Sul de Porto Alegre, em 27 de setembro deste ano. Felício foi levado ao Hospital Cristo Redentor, mas, após ficar 22 dias internado, morreu.

A filha de Felício, Patrícia da Rosa, 21, conta que o pai iria fazer compras em um supermercado quando houve uma discussão no trânsito. “Meu pai e um outro homem chegaram a entrar em luta corporal”, lembra. “Ele disse que não percebeu ter sido esfaqueado na barriga e foi embora como se nada tivesse acontecido e imaginou que a dor que sentia era resultado da briga.”

Felício teve de parar o carro em um posto de gasolina e foi levado às pressas ao hospital. Os exames detectaram que a lâmina tinha atingido o pâncreas e o intestino. Foram duas cirurgias. “Ele queria saber quem lhe deu a facada”, conta Patrícia. Em 20 de outubro, ela recebeu uma ligação do hospital pedindo que comparecesse no Cristo Redentor. “Sabia que naquele horário não seria uma notícia boa.”