Polícia

Bruno e Macarrão estão em delegacia de Belo Horizonte

Suspeitos só devem prestar depoimento na manhã desta sexta-feira

Dupla embarca para Minas Gerais no aeroporto de Santos Dumond
Dupla embarca para Minas Gerais no aeroporto de Santos Dumond Foto : Fabio Motta / AE / CP
O ex-goleiro do Flamengo, Bruno Fernandes Souza, e Luiz Henrique Ferreira Romão, o Macarrão, já estão em Belo Horizonte. A dupla – suspeita de envolvimento no sequestro e possível morte da ex-amante de Bruno, Eliza Samudio – desembarcou por volta das 23h no Aeroporto da Pampulha, em Minhas Gerais.

Confira a cobertura completa do Caso Bruno

De lá, foram encaminhados Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (Dihpp). Nem Macarrão, nem Bruno usavam algemas na chegada. Eles foram xingados por uma multidão de populares que os aguardava no local.

Conforme o delegado-geral do Dihpp, Edson Moreira, eles só prestarão depoimentos nesta sexta-feira porque a polícia quer “ouvi-los com calma”.

No entanto, o advogado dos suspeitos adiantou nesta quinta-feira, durante coletiva da Polícia Civil, que seus clientes não irão depor enquanto a polícia não liberar cópias do inquérito para a defesa. Ercio Quaresma, que já era advogado de Macarrão, assumiu hoje a defesa de Bruno, após o Flamengo decidir suspender o contrato do atleta. Com isso, o advogado Michel Assef Filho, funcionário do clube, deixou o caso.

Outro que deixa o Caso Bruno é o promotor de Justiça Homero das Neves Freitas Filho, da 1ª Central de Inquéritos Policiais do Ministério Público do Rio. De acordo com ele, a competência do caso cabe agora ao Ministério Público mineiro.

“Eles não queriam apenas sequestrá-la, queriam matá-la. Não é um crime autônomo, eles sequestraram aqui no Rio e levaram para lá para matar. A competência da Justiça de Minas atrai tudo. O sequestro foi apenas um ato preparatório para o homicídio”, explicou.

Deslocamento no Rio

A transferência dos dois foi autorizada pela Justiça do Rio de Janeiro do final da tarde desta quinta. Bruno e Macarrão foram transportados do presídio de Bangu 2, no Complexo Penitenciário de Gericinó (RJ), onde se encontravam, em meio a um comboio policial de seis veículos e com forte esquema de segurança. Eles foram transferidos em carros separados.

Eles chegaram ao Aeroporto de Santos Dumond, no Rio de Janeiro, por volta das 21h, cercados por dezenas de policiais. Houve um pequeno tumulto na chegada porque a polícia decidiu que iria usar o saguão de embarque comercial - o que chamou a atenção de passageiros e demais funcionários do terminal. Com isso, Bruno e Macarrão acabaram sendo levados até a cabeceira da pista por um microônibus. A aeronave deixou a pista do Galeão às 21h45min.

A delegada Ana Maria dos Santos Paes da Costa, chefe da Delegacia de Homicídios de Contagem, em Minas, e sua equipe são responsáveis pela transferência dos suspeitos.

Esclarecimentos

Dentre as dúvidas que a polícia pretende elucidar estão se Bruno realmente presenciou a morte da ex-namorada. Ele é suspeito de ser o mandante do sequestro, que Macarrão e o primo adolescente do goleiro teriam executado. Já o assassinato teria sido cometido pelo ex-policial Marcos Aparecido dos Santos, localizado pela polícia mineira no início da noite de quinta-feira. A polícia segue com as buscas pelo corpo.

O adolescente de 17 anos, que foi levado a Minas Gerais para ajudar nas investigações, voltou ao Rio na quarta-feira. Ele passou a noite na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), sendo transferido para o Centro de Triagem e Recuperação, na Ilha do Governador, no Rio.

MP fecha inquérito do sequestro de 2009

O inquérito que apura o sequestro da ex-amante do goleiro Bruno, Eliza Samudio, em 2009, foi concluído nesta quinta-feira. Segundo o delegado da Divisão de Homicídios do Rio, Felipe Ettore, Bruno e Macarrão foram indiciados por sequestro e lesões corporais - eles são acusados de forçar a modelo a beber substâncias abortivas.

Segundo o Ministério Público do Rio de Janeiro (MP-RJ), se condenados, eles podem pegar de dois e a oito anos de prisão, pelo crime de sequestro e cárcere privado, agravado pelos maus-tratos contra a vítima, e de três meses a um ano, por lesão corporal.