Polícia

Bruno teria planejado morte de Eliza para época da Copa

Delegado acredita que goleiro foi o "autor intelectual" do crime

Delegado acredita que goleiro Bruno foi o autor intelectual do crime
Delegado acredita que goleiro Bruno foi o autor intelectual do crime Foto : Frederico Haikal / Hoje em dia / CP
O delegado Edson Moreira, chefe do Departamento de Investigação de Homicídios e Proteção à Pessoa (DIHPP) de Minas Gerais, disse nesta sexta-feira que o goleiro Bruno Fernandes de Souza planejou usar o período da Copa do Mundo, entre junho e julho, para sequestrar e matar Eliza Samudio, 25 anos, sua ex-amante. Para Moreira, a época foi escolhida pela ausência de jogos do Flamengo, clube do atleta. "Já estava tudo previamente planejado desde maio", acredita o delegado.

Leia a cobertura completa do Caso Bruno

Como o jogador não foi apontado como o executor de sua ex-amante, o delegado o classificou como "autor intelectual" e disse que Marcos Aparecido dos Santos, o Bola, já estava contratado desde fevereiro para executar o crime. Ainda segundo o chefe da investigação, já foi solicitada a conversão das prisões temporárias dos suspeitos em preventivas, que valem até o fim de um possível julgamento. A polícia pediu ainda, a prisão preventiva de Fernanda Gomes de Castro, 31 anos, amante do goleiro, por suspeita de envolvimento no sumiço de Eliza. Ela é a única dos nove indiciados que está em liberdade.

O Ministério Público de Minas Gerais informou que recebeu o inquérito no início da tarde de quinta-feira. O documento tem 1,6 mil páginas e foi entregue ao promotor Gustavo Fantini. Ele tem até o dia 6 de agosto para decidir se oferece denúncia contra os indiciados. A promotoria também pode denunciar ou pedir novas diligências.

Provas técnicas

As provas técnicas incluídas pela Polícia Civil de Minas Gerais no inquérito que indiciou o goleiro e outros oito adultos pelo desaparecimento e morte de Eliza destacaram os registros feitos pelas antenas de telefonia celular. Segundo o relatório, o sistema de telefonia registrou trajetos que coincidem com o deslocamento de Eliza do Rio de Janeiro a Minas Gerais e com a ida dela do sítio de Bruno até a casa de Bola, onde a polícia afirma que ela foi executada, no dia 10 de junho.

A polícia afirma que os dados obtidos com a quebra do sigilo telefônico dos suspeitos coincidem com os depoimentos prestados e demonstram a ligação entre eles. Os dados do sistema de localização GPS da Range Rover, de propriedade de Bruno e conduzida por Luiz Henrique Romão, o Macarrão, também reforçam as versões apresentadas em depoimentos. O sangue encontrado no carro é de Eliza Samudio, assim como um par de sandálias e óculos escuros que foram reconhecidos pelas amigas do Rio. As provas técnicas incluem a fralda tamanho P/M encontrada em uma das suítes do motel em Contagem que teriam sido ocupadas por Eliza, o filho, Bruno, Fernanda, Macarrão e o adolescente.

Fotos queimadas do bebê foram achadas em um ponto próximo à cerca do sítio de Bruno. Também foram incluídos diversos laudos de perícias nos computadores de Eliza e Macarrão, que demonstraram a existência de fotografias da criança e de Bruno, de um contrato, no notebook de Macarrão, a ser firmado entre Eliza e Bruno, com data de 8 de junho de 2010 (quando ela estava no sítio) e uma procuração em branco.

As gravações de entrevistas feitas pelos suspeitos, pelo irmão de Dayanne e pelo tio do menor à imprensa foram anexadas ao inquérito, bem como o vídeo gravado por Eliza na saída de uma delegacia no Rio de Janeiro, onde ela denunciou ter sido forçada a beber substâncias abortivas. O delegado Edson Moreira, disse que Eliza não abandonaria seu filho, cujo pai seria o atleta, porque a criança significaria uma vida estável para ela, caso a paternidade fosse confirmada. Para ele, esta é uma prova de que a mulher está morta. "O filho era uma garantia de pensão alimentícia razoável e duradoura", disse Moreira, ao apresentar o inquérito da investigação do desaparecimento da jovem.

Moreira disse também que o sangue com DNA masculino encontrado no jipe Range Rover do goleiro Bruno é do adolescente J., primo do atleta. O carro é o local onde, segundo a polícia, Eliza foi golpeada a cabeça com uma coronhada. Houve luta corporal entre os dois. O menor admitiu a agressão. Conforme Moreira, como o adolescente se recusou a fornecer material para um exame de DNA, a polícia colheu saliva de um copo descartável no qual J. bebeu água.

Pai de Eliza quer prestar última homenagem

Moreira afirmou ainda que as buscas pelo corpo de Eliza vão continuar, mesmo com a conclusão do inquérito. "Não vamos desistir da busca", disse. O delegado disse que o adolescente "ainda é o único que esteve presente do início ao fim do caso." "A polícia calçou cientificamente o depoimento do menor. As provas científicas que temos, o GPS, o sangue dele e da Eliza em um carro de Bruno e a descrição do Bola, que tem uma falha na arcada dentária superior. Por último, a descrição da morte de Eliza, por asfixia", disse Moreira.

O pai de Eliza Samudio, Luiz Carlos Samudio, foi até o Departamento de Investigações nesta tarde. Ele chorou durante a entrevista do delegado. Segundo ele, "ainda tenho esperança de encontrar o corpo e prestar a última homenagem".