Polícia

Cárcere privado de Canoas seria o mais longo na história do Estado

Rodrigo Luciano Luz mantém ex-mulher trancada em sua casa desde a noite de sexta-feira

Drama de Josine já dura dois dias em Canoas
Drama de Josine já dura dois dias em Canoas Foto : Leandro Cabral
O cárcere privado no qual o vigilante Rodrigo Luciano Luz, 32 anos, mantém sua ex-mulher, a operária Josiane Pontes, 29, desde às 23h da última sexta-feira, já é o mais longo registrado pela polícia no Estado. O drama completa 48 horas na noite deste domingo. O caso supera o de um táxi-lotação em Porto Alegre, que durou 27 horas.

O tormento de Josiane começou quando Luz entrou na residência onde a vítima estava com os dois filhos do casal, na rua 11, do bairro Guajuviras, em Canoas, na região Metropolitana. Armado com um revólver calibre 38, ele fez a família refém, além de ter desferido um tiro, ainda na noite de sexta, no cunhado que iria pegar a sua moto, estacionada na frente da casa. O disparo acertou de raspão o homem.

A partir daí, a Brigada Militar foi acionada, deslocando para o local negociadores, um efetivo do Grupamento de Ações Táticas Especiais (Gate) e do 15º BPM. A rua 11, onde está a casa do casal, foi isolada e, mais tarde, a rua E, transversal a 11, nos dois sentidos também ficou interditada.

Água e luz não são cortadas para não irritar vigilante

Em uma casa ao lado, foi montado o "gabinete de crise", onde ficaram o staff da BM, amigos e parentes do vigilante, como a sua mãe, acompanhando as negociações. De acordo com o subcomandante da BM, coronel Jones Calixtrato dos Santos, que desde a tarde de sábado vem acompanhando o caso, uma invasão da casa foi descartada e só seria posta em prática se a refém estivesse correndo perigo. A água e a luz da residência não foram cortadas para não irritar o acusado.

Conforme o coronel, as negociações evoluíram positivamente durante esse período, em que Josiane, que está em licença saúde, foi mantida em cárcere privado. Durante as conversações, o vigilante demonstrava querer entregar-se. Porém, ressaltou Calixtrato, ele queria garantias de que não sofreria algum atentado. "Estamos dialogando, dando a segurança de que ele precisa para sair da casa", disse Calixtrato. "Agimos com calma e diálogo, esperaremos o tempo que for necessário".

Uma das dificuldades técnicas para uma invasão da casa era a falta de visão que os PMs tinham. O vigilante fechou as cortinas impedindo os policiais de ver em que peça o casal estava. Depois do pedido do lanche, logo cedo, o acusado não fez mais nenhuma exigência. "Conversamos com ele pelo telefone em períodos regulares e ele aparenta estar calmo", disse o coronel. "Também falamos com a refém e, aparentemente, ela está tranquila", revelou.

Por volta das 21h30min deste domingo, Luz afirmou à Brigada Militar que se entregaria. No entanto, a expectativa não se confirmou nos minutos seguintes. Foi pelo menos a quinta vez que ele disse que se renderia.