Em Porto Alegre, o Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil enviou o Koda, da raça Australian Cattle Dog, com o policial civil Viseu, para se especializar ainda mais no faro de explosivos. Na sexta-feira, ele estava na base da Força Nacional no Gama, no Distrito Federal. O diretor de investigações do Denarc, delegado Heliomar Franco explica que a pós-graduação de Koda será muito importante depois para as ações do próprio órgão policial. “Armas e munições costumam ser encontradas em nossas operações, junto com as drogas”, observa. Ele revela que outro cão, o Ioiô, também um Australian Cattle Dog, será preparado igualmente para ser farejador de explosivos.
Na detecção de drogas, o canil do Denarc conta com quatro cães farejadores, dos quais dois ainda estão sob treinamento no órgão policial. Franco destaca que a experiência inédita possibilitada na atuação com a Força Nacional vai permitir que o conhecimento seja repassado aos demais policiais civis.
O delegado lembra ainda que os agentes do Denarc estão passando por cursos especializados para agirem na Copa do Mundo. Para ele, a maior preocupação do órgão policial no Mundial, com a Capital recebendo visitantes de vários países, será em relação às drogas sintéticas. Ele se baseia no que foi constatado em outros mundiais de futebol, sobretudo na Europa, onde o uso desse tipo de entorpecente é muito comum.
Farejador de droga, arma e explosivo
Além de Koda, do Denarc, outros trê cães da Brigada Militar participam do treinamento promovido pela Secretaria Nacional de Segurança Pública (Senasp). O trio faz parte do canil do 1º Batalhão de Operações Especiais (BOE), em Porto Alegre, que possui 37 animais — oito são farejadores. Conforme o subcomandante da unidade, sargento Evaldo Dornelles da Silva, os cães farejadores Maya, uma Pastor Belga Malinois, junto com o PM Breno; Abby, um Pastor alemão junto com o PM Ghiorzi, ambos especializados em explosivos; além de Fly, um Labrador com o PM Santos, que detecta drogas, estão desde o dia 4 atuando com a Força Nacional.
Na avaliação do subcomandante do canil do BOE, o treinamento em estádios de futebol e hotéis agora na Copa das Confederações e no Mundial de Futebol de 2014 será “uma experiência inédita”.
O canil possui outros dois farejadores de explosivos: o Labrador Boré e a Pastor Alemão Izzy. A unidade conta com mais dois especializados em drogas: o Pastor Belga Malinois Boris e o Pastor Alemão Apache. “Todos já atuam, por exemplo, em grandes shows”, observa. Os cães prestam apoio às ações do Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate), do 1º BOE, e da Polícia Federal, como uma ocorrida no dia 17 de maio, em Muçum, quando foram apreendidos 157 quilos de crack.
Como é feita a preparação
* Para a Senasp, os cães farejadores são considerados “armas eficientes e indispensáveis nas operações”.
* O treino diário é realizado por meio de atividades lúdicas. Ao entender o exercício como brincadeira, o animal passa a ter como referência o brinquedo dado como prêmio.
* Porções de drogas ou pólvoras não são expostas diretamente ao animal, mas acondicionadas em recipientes de PVC ou plásticos. Assim que o cão identifica o cheiro do objeto procurado, ele fica imóvel, indicando ter encontrado drogas ou armas, ou agitado, arranhando o local suspeito.
* Segundo a médica veterinária e soldado da Força Nacional, Rosa Maria de Sousa Campos, um cão treinado em condições ideais tem um percentual de acerto de 100% na identificação de entorpecentes e armas.