Ele salientou, ainda, o fato dos bombeiros levarem marretas para um suposto protesto pacífico que teria menores de idade entre eles. Para Cabral, é "incomensurável a gravidade de unir armas a crianças" e, conforme sua avaliação "ninguém planeja levar marretas para 'manifestações pacíficas'". Ele destaca que "invasão, por si só, já é um confronto". "Com marretas, é planejar uma possível batalha. Com crianças, é um crime"..
Na nota divulgada no final da tarde de hoje, Cabral tenta relativizar a dimensão do protesto. Ele destaca que o "Estado do Rio de Janeiro tem 17 mil bombeiros que orgulham o governo e a população". Cabral classifica a invasão como "um gesto de imensa irresponsabilidade" de um grupo de manifestantes. "A imprudência dessas pessoas com seres inocentes, com a ordem pública, e com as suas próprias regras hierárquicas deve e está sendo punida", garantiu.
O governador ressalva que parte do manifestantes aderiu ao movimento inconscientemente e induzida pelos líderes do grupo, e que 439 bombeiros foram presos. Cabral finaliza a nota salientando que "milhares de bombeiros, que orgulham o nosso Estado e são leais à premissa do salvamento, têm e merecem do governo do Rio de Janeiro o diálogo".
Protesto
Na noite de sexta-feira, cerca de mil bombeiros entraram no Quartel Central da corporação, no centro do Rio, reivindicando aumento salarial e melhores condições de trabalho. Alguns manifestantes estavam acompanhados de suas mulheres e filhos.
No início da manhã de sábado, o Batalhão de Operações Especiais (Bope) da Polícia Militar (PM) invadiu o quartel para reprimir o protesto. Com o uso de explosivos, os homens do Bope botaram abaixo o portão dos fundos do quartel e entraram detonando bombas de gás lacrimogêneo e granadas de efeito moral. Houve muito tumulto e rajadas de tiros.
O Bope prendeu 439 bombeiros. Eles foram levados para a Corregedoria Interna da PM, em São Gonçalo, região metropolitana do Rio. Na manhã de hoje, eles começaram a ser transferidos para as unidades militares do Corpo de Bombeiros.