A Polícia Civil desconfia que o número de eutanásias de cães e gatos na Secretaria do Bem-Estar Animal de Canoas entre janeiro e agosto, na gestão da ex-titular Paula Lopes, possa atingir o dobro da cifra inicialmente divulgada na Operação Carrasco, em 4 de setembro. Na data, a Delegacia de Polícia Regional contabilizou 239 mortes. Ocorre que, após a ofensiva, notificações recém-descobertas indicam 478 óbitos de bichos sob os cuidados da pasta.
Os novos registros eram escritos à mão e constam em um caderno. Uma funcionária que era responsável pela tarefa foi quem entregou o material aos policiais. Segundo a testemunha, as anotações se referem a mortes de animais.
"Sabemos que o caderno tem registros de eutanásias, sendo parte dos procedimentos realizados em abrigos. Outros procedimentos ocorriam em áreas externas, mais ainda estamos investigando quais eram esses locais”, disse o delegado regional Cristiano Reschke.
Também conforme o delegado, a ex-secretária também liderava uma ONG de acolhimento de animais. Ainda de acordo Cristiano Reschke, por meio da instituição, ela pedia valores e dizia que o montante seria investido em ações de resgate e no cuidado dos bichos. A suspeita é que os recursos tenham sido desviados. Na Operação Carrasco, foram encontrados R$ 100 mil em um imóvel ligado à investigada.
"Ela é uma pessoa bastante ativa nas redes sociais e ostenta uma imagem de protetora de cães e gatos. Por meio dessa ONG, pedia doações via Pix, supostamente para cuidar dos bichos. Acreditamos que, ao invés disso, desviava os valores, ao mesmo tempo em que determinava a eutanásia de animais”, pontuou o delegado regional.
Em nota, o advogado Gilson Araújo, que representa a ex-secretária, negou as acusações. Ele também disse que o relatório policial foi feito com base em boatos.
Leia a nota da defesa
A defesa vem a público, diante das recentes declarações da Polícia Civil, esclarecer que a chamada “operação carrasco” nada mais representa do que a espetacularização policial, alicerçadas em denúncias anônimas jamais corroboradas por diligências sérias e preliminares que pudessem conferir mínima plausibilidade ao que foi narrado.
O relatório policial limita-se a reproduzir boatos e falas sem qualquer verificação independente ou prova concreta, o que fragiliza por completo a credibilidade das acusações.
A única acusadora identificada, demonstra evidente conflito de interesses, tendo suas declarações surgido após divergências pessoais e políticas, conforme está registrado nos próprios autos da representação policial.
Aquela acusadora admite não ter conhecimento do destino dos animais, apoiando-se em “ouvi dizer” e “comentários”, o que é flagrantemente insuficiente para sustentar acusações dessa gravidade.
É importante destacar que, nos casos de eutanásia, a legislação é clara: o procedimento somente ocorre mediante autorização expressa do médico veterinário, observando rigorosamente critérios técnicos e protocolos estabelecidos, bem como autorização do tutor do animal.
O suposto caderno encontrado decerto conterá os mesmos números de eutanásias cadastradas no SIMEC do Município de Canoas.
Não é dado ao Estado inverter o ônus probatório e exigir da parte que comprove a licitude de seus atos; ao contrário, cabe à polícia civil demonstrar de forma inequívoca a conduta investigada, ônus este que não foi minimamente atendido.
Ainda assim, A defesa reforça que seguirá trabalhando para demonstrar que não houve qualquer ilegalidade na gestão e que a verdade será restabelecida.
Gilson R. R. de Araújo