Polícia

Cancelamento de feira no Cais do Porto revolta empresários

Pelo menos 20 empreendedores do setor moveleiro alegam que foram lesados

Cancelamento de feira no Cais do Porto revolta empresários
Cancelamento de feira no Cais do Porto revolta empresários Foto : Alexandre Mendez / CP
Um golpe que pode ter gerado prejuízo de mais de R$ 50 mil lesou, pelo menos, 20 empresários do setor moveleiro e de decoração. Foi oferecida a eles a participação em uma feira, que deveria ocorrer de terça até quinta-feira, nos galpões A e B do Cais do Porto, na Capital.

De acordo com uma das pessoas lesadas, Kellen da Costa, de manhã, quando chegaram ao local para arrumar os objetos nos estandes, os expositores encontraram o espaço vazio e sujo. Muitos dos empresários eram do Interior do Estado e tiveram que retornar as suas cidades de origem. “Pagamos pelo espaço, investimos em material e até contratamos ajudantes”, lembrou Kellen. “Muitos vieram com a perspectiva de fechar negócios. E agora quem vai arcar com o prejuízo?”, questionou a empresária.

Ela disse que conseguiram o telefone de um dos envolvidos. Este, que seria representante do casal de promotores, esteve com os expositores no cais, ainda de manhã, e conversou com eles, afirmando que o “dinheiro tinha sido mal administrado e que não havia como promover a feira”. Ele, de acordo com Kellen, afirmou que os promotores venderam até um automóvel para pagar contas. Segundo a empresária, todos os empresários pagaram à vista pelo evento. No final, salientou Kellen, o acusado propôs que eles pagassem mais um pouco, para mídia. Os expositores recusaram.

Promessa de devolução do dinheiro em 20 dias

O representante esteve no posto da Brigada Militar, na Praça XV, onde foi ouvido e liberado. Neste posto da BM, sete empresários registraram ocorrência, à tarde. Eles afirmaram que irão entrar na Justiça para serem ressarcidos. A justificativa do representante dos promotores para a falta de infraestrutura não convenceu empresários e os deixou revoltados. “Ele não disse o que fez com o dinheiro que pagamos”, recordou Kellen. “E pediu mais para fazer mídia, algo que deveria ser feito bem antes do evento”, comentou e expositora, contando haver a promessa do representante dos promotores da devolução do dinheiro em 20 dias. O que, segundo ela, os empresários não acreditam.

O pacote para a feira foi oferecido na semana passada. De acordo com Kellen, que trabalha com cortinas, o promotor e sua mulher lhe ofereceram a participação na feira, onde o preço de R$ 148 o metro quadrado incluiria a montagem de estande e até mesmo paisagismo, pago à parte, mas a preço de custo, através de uma empresa que seria parceira dos promotores do evento. A empresária disse que, em um primeiro momento, seriam 80 expositores. Porém, depois, eles ficaram sabendo que seriam 20. Os outros haviam desistido de participar da feira.

"Quanto ao paisagismo, a empresa disse que não conhecia os promotores e que não tinha nenhum contrato desse tipo", lembrou a empresária. Foram feitos folders do evento e cada expositor recebeu convites para que pudessem levar convidados.

O comandante da 1ª Companhia do 9º BPM, major André Luiz Córdova, aconselha as pessoas a pesquisarem muito bem quando forem contatar uma empresa para este tipo de serviço. Segundo ele, esse tipo de golpe ocorre também em festas de casamento e formaturas.