Um golpe que pode ter gerado prejuízo de mais de R$ 50 mil lesou, pelo menos, 20 empresários do setor moveleiro e de decoração. Foi oferecida a eles a participação em uma feira, que deveria ocorrer de terça até quinta-feira, nos galpões A e B do Cais do Porto, na Capital.
De acordo com uma das pessoas lesadas, Kellen da Costa, de manhã, quando chegaram ao local para arrumar os objetos nos estandes, os expositores encontraram o espaço vazio e sujo. Muitos dos empresários eram do Interior do Estado e tiveram que retornar as suas cidades de origem. “Pagamos pelo espaço, investimos em material e até contratamos ajudantes”, lembrou Kellen. “Muitos vieram com a perspectiva de fechar negócios. E agora quem vai arcar com o prejuízo?”, questionou a empresária.
Ela disse que conseguiram o telefone de um dos envolvidos. Este, que seria representante do casal de promotores, esteve com os expositores no cais, ainda de manhã, e conversou com eles, afirmando que o “dinheiro tinha sido mal administrado e que não havia como promover a feira”. Ele, de acordo com Kellen, afirmou que os promotores venderam até um automóvel para pagar contas. Segundo a empresária, todos os empresários pagaram à vista pelo evento. No final, salientou Kellen, o acusado propôs que eles pagassem mais um pouco, para mídia. Os expositores recusaram.
Promessa de devolução do dinheiro em 20 dias
O representante esteve no posto da Brigada Militar, na Praça XV, onde foi ouvido e liberado. Neste posto da BM, sete empresários registraram ocorrência, à tarde. Eles afirmaram que irão entrar na Justiça para serem ressarcidos. A justificativa do representante dos promotores para a falta de infraestrutura não convenceu empresários e os deixou revoltados. “Ele não disse o que fez com o dinheiro que pagamos”, recordou Kellen. “E pediu mais para fazer mídia, algo que deveria ser feito bem antes do evento”, comentou e expositora, contando haver a promessa do representante dos promotores da devolução do dinheiro em 20 dias. O que, segundo ela, os empresários não acreditam.
O pacote para a feira foi oferecido na semana passada. De acordo com Kellen, que trabalha com cortinas, o promotor e sua mulher lhe ofereceram a participação na feira, onde o preço de R$ 148 o metro quadrado incluiria a montagem de estande e até mesmo paisagismo, pago à parte, mas a preço de custo, através de uma empresa que seria parceira dos promotores do evento. A empresária disse que, em um primeiro momento, seriam 80 expositores. Porém, depois, eles ficaram sabendo que seriam 20. Os outros haviam desistido de participar da feira.
"Quanto ao paisagismo, a empresa disse que não conhecia os promotores e que não tinha nenhum contrato desse tipo", lembrou a empresária. Foram feitos folders do evento e cada expositor recebeu convites para que pudessem levar convidados.
O comandante da 1ª Companhia do 9º BPM, major André Luiz Córdova, aconselha as pessoas a pesquisarem muito bem quando forem contatar uma empresa para este tipo de serviço. Segundo ele, esse tipo de golpe ocorre também em festas de casamento e formaturas.
Cancelamento de feira no Cais do Porto revolta empresários
Pelo menos 20 empreendedores do setor moveleiro alegam que foram lesados