Mesmo com todo o aparato bélico, nada impediria que marginais tentassem alguma represália com familiares dos integrantes das Patrulhas Especiais (Patres). No entanto, essa possibilidade parece ser mínima. O capitão Marcos Teixeira, 31 anos, afirma não temer que criminosos tentem atacar seus familiares em represália a seu trabalho. Casado, pai de um garoto de seis e uma garota de cinco, Teixeira dá algumas orientações, mas acredita que a situação no Rio Grande do Sul é muito diferente da vivida no Rio de Janeiro, por exemplo.
Segundo ele, os criminosos, aqui, sabem que não vale à pena tentar matar um PM ou atingir a sua família, pois sabem que a força policial é maior do que a formada por marginais. "Risco existe, mas até o momento isso (ataque à família) não aconteceu", ressalta Teixeira, que teve passagem para Agência Regional de Inteligência, do Comando de policiamento da Capital (CPC). "O bandido sabe que se tentassem algo assim, a resposta seria forte o suficiente".
Claro que algumas precauções são tomadas. Teixeira conta que muitos não vão fardados para casa ou para o serviço. Em casa, acentua o oficial, ele não comenta nada do serviço com a mulher. Porém, existe uma prática de preservar os PMs. Se o integrante da Patres mora perto ou mesmo no local onde a ação vai de se desenvolver, este policial não irá para fazer a prisão do marginal ou traficante, não será exposto. O capitão também costuma não comentar sobre o trabalho em casa. "Não comento nada do meu serviço com minha mulher", afirma Teixeira. "Até para não deixá-la aflita".
Porém, integrantes da Companhia já passaram por situações que, em princípio, comprovam a opinião de Teixeira. O sargento Getúlio Bidart, 44 anos, um dos primeiros e integrar as Patres, foi a uma pizzaria com a família e quando estava chegando no local, situado no bairro Partenon, deparou-se com integrantes de da gangue de um traficante. Os criminosos apenas olharam a ele e a família, deixando-os passar. "Entramos no estabelecimento e tudo transcorreu em paz", recorda Bidart. "Alguns entravam pegavam alguma bebida e saiam, mas só foram entrar no local depois que fui embora".
Confira a reportagem sobre as Patrulhas Especiais.
Capitão conta como é a rotina das Patrulhas Especiais
Marcos Teixeira não teme que criminosos tentem atacar seus familiares em represália a seu trabalho