Polícia

Carreta com tonelada de maconha foi monitorada por 12 horas

Apreensão ocorreu quando motorista fez parada em posto de gasolina de Tio Hugo

Droga foi avaliada em pelo menos R$ 3 milhões
Droga foi avaliada em pelo menos R$ 3 milhões Foto : Alvaro Grohmann / Especial / CP
Doze horas. Esse foi o tempo que levou para a carreta, carregada com mais de 1,5 tonelada de maconha, ser abordada pelos agentes do Departamento Estadual de Investigações do Narcotráfico (Denarc) após ter ingressado no Rio Grande do Sul, vinda do Mato Grosso do Sul. Avaliada em pelo menos R$ 3 milhões, a droga, distribuída em tijolos, estava escondida no meio de 36 toneladas de milho destinado à ração animal. As investigações duraram três meses, sendo conduzidas pela Divisão de Inteligência e Análise Criminal do Denarc, chefiada pelos delegados Luis Henrique Gasparetto e Márcio Zachello. Houve a constatação da vinda do carregamento da maconha, considerada de ótima qualidade e colhida na atual safra paraguaia, durante o trabalho investigativo sobre a lavagem de dinheiro por parte de uma facção criminosa gaúcha envolvida com narcotráfico.

O monitoramento da carreta ao longo do caminho teve apoio da Polícia Rodoviária Federal. O caminhão bi-trem Scania, com placas de Araranguá, Santa Catarina, fez uma parada momentânea em um posto de combustível, nas imediações do km 275 da BR 3896, no município de Tio Hugo, na manhã de quarta-feira. Nesse momento, os policiais entraram em ação. O caminhoneiro, identificado como catarinense, foi preso em flagrante. Os detalhes da operação Eldorado, que culminou na maior apreensão de maconha este ano da Polícia Civil, foram revelados na manhã de ontem na sede do Denarc, em Porto Alegre. A equipe da Divisão de Inteligência e Análise Criminal do Denarc, monitorou a viagem da carreta desde o Mato Grosso do Sul até o Rio Grande do Sul, com auxílio da PRF. “Foram muitas horas de campana e de estrada”, resumiu o delegado Luis Henrique Gasparetto. Ao entrar no território gaúcho, o acompanhamento do caminhão foi intensificado e culminou com a abordagem em Tio Hugo.

A principal suspeita é de que o caminhão estava vindo para a Região Metropolitana de Porto Alegre. Os agentes do Denarc calculam que o carregamento de maconha abasteceria as bocas de fumo em até cinco dias. Já a venda da droga levaria em torno de 15 dias para zerar todo o estoque. A organização criminosa investigada estaria trazendo semanalmente um carregamento de droga deste porte, sendo apurado inclusive a abertura de empresas em nome de “laranjas” para a lavagem de dinheiro e compra de bens, como veículos e imóveis. “A apreensão é apenas um braço da investigação. Tem muita coisa para ser descoberta”, frisou o delegado Luis Henrique Gasparetto.

Já as 36 toneladas de milho, com nota oficial, foram entregues a uma empresa, sediada na cidade de Estrela, que havia comprado legalmente a carga de grãos e não tem nenhum envolvimento com o caso. Conforme os agentes do Denarc, o caminhoneiro foi cooptado a trazer a droga escondida no meio do milho, atuando por conta própria na ilicitude e agindo como “mula”.