Desconfiados, vizinhos alertaram a polícia. Os policiais da DPCA foram ao endereço da suposta mãe, que disse ter dado a luz em um hospital de Machadinho. Mais tarde, no entanto, a polícia descobriu que a menina nasceu no hospital São Vicente de Paulo, em Passo Fundo. A jovem, então, foi submetida a exame do Departamento Médico Legal (DML). Os resultados apontaram que ela não passou por parto recentemente.
Em depoimento à Polícia, a suposta mãe alegou que teve uma gravidez psicológica e que ficou sabendo que uma jovem moradora da vila Jardim, na periferia de Passo Fundo, viciada em crack, queria doar a filha. Ela disse que procurou a mãe biológica, que entregou o bebê em troca de R$ 50.
A mãe da criança culpou o companheiro pela entrega da filha. O homem, que não é o pai biológico, admitiu ter entregue a criança a um casal porque a companheira não tinha condições de criá-la, pois é alcoólatra e viciada em crack. A criança foi recolhida a um abrigo pelo Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente.
De acordo com o delegado Gilberto Mutti Dumke, mesmo que a mãe adotiva tenha doado os R$ 50, isso caracteriza a transação para a entrega da criança. O delegado disse que o inquérito ainda está apurando as responsabilidades tanto do casal como da mulher que pegou a criança. Os envolvidos devem ser denunciados com base no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA ) e podem ser condenados até 4 anos de reclusão.