Polícia

Caso Master: PF apreendeu R$ 230 milhões em obras de arte, dinheiro, carros, joias e jatinho

Investigação detectou indícios de que a instituição comandada por Daniel Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB

PF confiscou bens de outros diretores do banco Master atingidos pela investigação
PF confiscou bens de outros diretores do banco Master atingidos pela investigação Foto : WERTHER SANTANA / ESTADÃO CONTEÚDO

A Operação Compliance Zero, que levou à prisão do banqueiro Daniel Vorcaro na segunda-feira, 17, resultou na apreensão de R$ 9,2 milhões em veículos, R$ 2 milhões em dinheiro vivo, R$ 6,15 milhões em relógios, R$ 380 mil em joias, R$ 12,4 milhões em obras de arte e uma aeronave avaliada em R$ 200 milhões. Os bens foram confiscados também de outros diretores do banco Master atingidos pela investigação.

A apuração da Polícia Federal e do Ministério Público Federal sobre a gestão do banco Master detectou indícios de que a instituição comandada por Daniel Vorcaro vendeu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes ao BRB, o banco público do Distrito Federal, e entregou documentos falsos ao Banco Central para tentar justificar o negócio. Vorcaro foi preso na noite de segunda-feira, 17, ao tentar embarcar na aeronave que foi apreendida para fugir ao exterior. Em nota, a defesa de Vorcaro informou que ele buscou cooperar com as investigações e negou que ele fosse fugir do País. Os advogados dizem que ele iria viajar para Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, com o objetivo de fechar uma nova operação de venda do Banco Master. O plano de voo obtido pela PF, porém, registrava como destino a ilha de Malta. Os advogados afirmam que seria feita uma parada para abastecimento no local.

Balanço das apreensões da Operação Compliance Zero

Veículos: R$ 9,2 milhões Dinheiro em espécie: R$ 2 milhões Relógios: R$ 6,15 milhões Joias: R$ 380 mil Obras de arte: R$ 12,4 milhões Aeronave: R$ 200 milhões O jatinho apreendido de Vorcaro é um Falcon 7X, da fabricante francesa Dassault Aviation, matrícula PSFST, e possui capacidade para 12 passageiros. A aeronave foi comprada em agosto de 2024 pela Viking Participações LTDA, empresa que tem Vorcaro como único sócio. Na terça-feira, 17, a PF apreendeu R$ 1,6 milhão em dinheiro vivo, a maior parte com o ex-sócio do Master, Augusto Lima. Além de Vorcaro e Lima, foram presos preventivamente Luiz Antonio Bull, Alberto Feliz de Oliveira e Angelo Antonio Ribeiro, diretores do Master também suspeitos de assinar operações fraudulentas e fornecer informações falsas ao BC.

São investigados crimes de gestão fraudulenta, gestão temerária e organização criminosa, entre outros. Em setembro, o Banco Central (BC) reprovou a compra de uma fatia do Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB). O BC passou cinco meses analisando o processo. Segundo apurou o Estadão, um ponto central da decisão foi o risco de o BRB ser contaminado pelos ativos do Master considerados 'podres'. Nesta quinta-feira, 20, a desembargadora Solange Salgado da Silva, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF1), em Brasília, negou o pedido de habeas corpus para o banqueiro Daniel Vorcaro. Ele vai continuar preso sob suspeita de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master que superam R$ 12 bilhões.

'O decreto prisional encontra-se devidamente fundamentado em dados concretos extraídos dos autos, notadamente, na necessidade da decretação da medida para garantia da ordem pública e da ordem econômica, considerando que o paciente é apontado como um dos líderes da suposta organização criminosa voltada à prática de múltiplos crimes contra o sistema financeiro nacional, ocasionando prejuízo de bilhões de reais', assinala a desembargadora.

Para a magistrada, a liberdade de Vorcaro, 'neste cenário de fraude sistêmica e obstrução da fiscalização, representa risco concreto e atual que impede a concessão de liminar em Habeas Corpus'. A defesa de Daniel Vorcaro afirma que a prisão representa um 'constrangimento ilegal' e sustenta que não há 'qualquer fato recente ou novo' que justifique a custódia preventiva do banqueiro.

A prisão preventiva foi fundamentada na suposta ocultação ou dilapidação patrimonial, no entanto, esse risco já não se faz mais presente, vez que integralmente neutralizado pela medida de sequestro dos bens e valores decretada nos autos e pelo Bacen (Banco Central)', sustentam os advogados.