Polícia

Caso Oliver: mãe de menino morto em Viamão reencontra filho mais velho pela primeira vez após deixar prisão

Encontro ocorre nesta terça-feira, no Fórum de Porto Alegre; defesa busca autorização judicial para que Mayanna Angelina Rodgers também possa voltar a ter contato com os outros filhos

A mãe de Oliver Grayson, menino de três anos morto pelo pai em Viamão, reencontrou nesta terça-feira, o filho mais velho, de 9 anos. Ao meio-dia, no Fórum de Porto Alegre, Mayanna Angelina Rodger pôde ver a criança pela primeira vez, desde que deixou a prisão há cerca de duas semanas.

A reunião foi autorizada pela Justiça após um pedido da entidade responsável pelo acolhimento dos três filhos. Segundo a advogada Isabel Cochlar, que integra a defesa de Mayanna ao lado de André von Berg e Juliana Braun Martins, o menino está emocionalmente abalado pela ausência da mãe e vinha manifestando o desejo de encontrá-la.

A criança foi levada ao Fórum por uma responsável pelo abrigo. Mayanna está em Porto Alegre e, por determinação judicial, não pode se deslocar até Viamão. A defesa também trabalha para obter autorização para que ela volte a ter contato com os outros filhos, que permanecem acolhidos. Um novo pedido deverá ser apresentado em audiência marcada para o próximo dia 29, conforme Isabel.

A retomada da guarda, no entanto, depende de uma avaliação mais ampla das condições maternas e do andamento do processo. “Entendemos que haverá um momento em que talvez se consiga que ela visite as crianças no abrigo, dependendo do que o juiz entender a partir dessa próxima audiência. Depois disso, acreditamos que ela poderá ir retomando a convivência gradualmente com as crianças”, disse a advogada.

Mayanna deixou a Penitenciária Estadual Feminina de Guaíba no início deste mês, após decisão judicial que substituiu a prisão preventiva por medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica. Ela responde por suposta tortura por omissão em relação às agressões sofridas pelos filhos. A investigação que a relacionava ao homicídio doloso qualificado de Oliver foi arquivada em relação a ela.

Advogada Isabel Cochlar acompanhou o reencontro entre Mayanna e o filho | Foto: Alina Souza

Segundo Isabel, desde a soltura, Mayanna recebe apoio psicológico e social de profissionais de uma organização que atende mulheres em situação de vulnerabilidade. Ela também deverá ingressar em um programa de capacitação profissional para adquirir ferramentas para o mercado de trabalho e reconstruir a própria vida.

Fragilizada, a mulher vive a angústia de estar longe dos três filhos em meio a perda de Oliver. “
Ela está com muita saudade das crianças. É uma mãe que há três meses perdeu um dos filhos e está em um luto severo, agravado pelo afastamento dos demais. Inclusive, nos preocupa muito o estado emocional dela por conta do afastamento das demais crianças”, explicou.

A advogada sustentou que o fato de o filho ter feito pedido para ver a mãe, vai ao encontro da denúncia que ela responde por tortura contra as crianças. “O fato de o mais velho reportar tanta necessidade de ver a mãe, desmonta a tese de que ela fosse conivente com essas torturas. Efetivamente, ela nunca conseguiu proteger as crianças, pois também era vítima de violência”, justificou.

Para a defesa, o encontro foi considerado uma conquista importante, especialmente diante do pedido insistente do menino para ver a mãe. A retomada da convivência com os filhos, contudo, dependerá das decisões judiciais e dos encaminhamentos relacionados ao acolhimento. “Nosso entendimento é de que uma mãe que não fosse cuidadosa e que fosse conivente com as atitudes erradas do pai, não teria pedido tão insistente do filho para poder ter acesso a ela”, completou Isabel.

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