Polícia

Ceará vai transferir pelo menos 20 detentos para presídios federais

Estado sofre com ataques desde quarta-feira

Força Nacional de Segurança Pública faz policiamento em ônibus da capital cearense por conta de ataques
Força Nacional de Segurança Pública faz policiamento em ônibus da capital cearense por conta de ataques Foto : José Cruz / Agência Brasil / CP
Em meio à crise na segurança pública, o governo do Ceará anunciou na noite deste domingo que vai transferir nas próximas horas pelo menos 20 detentos para presídios federais. O número de transferências pode aumentar nos próximos dias uma vez que, de acordo com o Estado, o Ministério da Justiça já confirmou que vai oferecer 60 vagas nas cadeias federais.

Um preso já foi transferido, mas o governo não revelou para qual presídio ele foi encaminhado. A negociação das transferências foi feita diretamente entre o governador Camilo Santana (PT) e o ministro da Justiça, Sérgio Moro. A pasta federal já vem auxiliando na crise de segurança cearense com o envio de homens da Força Nacional de Segurança.

A Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS) informou neste domingo que já são 110 as pessoas presas por suspeita de envolvimento com os ataques violentos que vêm sendo registrados no Estado desde a última quarta-feira. Em nota, a pasta disse que 34 dos detidos são adolescentes e acrescentou que, na última madrugada, dois suspeitos não identificados morreram em troca de tiros com a PM no bairro Granja Portugal, na zona oeste de Fortaleza.

Segundo a SSPDS, os suspeitos tentaram atear fogo a um posto de atendimento do Departamento Estadual de Trânsito. A polícia acabou por apreender coletes balísticos, um revólver calibre 38, munições, coquetéis molotov, galões de combustíveis e um veículo. Um policial foi ferido no incidente, mas não corre risco de vida.

Onda de violência

Dezenas de ataques a prédios, bancos e ônibus foram registradas em Fortaleza e no interior do Estado na última semana. Investigações do governo do Ceará apontam que as ordens para as ações partiram das facções Comando Vermelho e da Guardiões do Estado. Os crimes aconteceram um dia após o secretário da recém-criada pasta de Administração Penitenciária, Luís Mauro Albuquerque, ter dito que não reconhecia facções e que não iria mais separar presos de acordo com a ligação com esses grupos.

Por determinação do Ministério da Justiça e Segurança, 300 homens da Força Nacional se uniram aos agentes do Estado para conter a violência. O governo do Ceará, por sua vez, empossou na sexta-feira 373 novos policiais militares, que reforçam o patrulhamento nas ruas e 34 policiais rodoviários federais, nas BRs. Outro reforço veio do governo baiano, que mandou 100 PMs.

Os ônibus em Fortaleza passaram a ser escoltados por policiais militares para inibir as ações criminosas e a Polícia Militar do Ceará vêm realizando blitze em bairros e avenidas estratégicas da capital.