Em Curitiba (PR), foram presas 13 pessoas. Entre elas, quatro policiais militares e um assessor parlamentar. Em Foz do Iguaçu, foram quatro presos, sendo um policial civil. Em Maringá, foram cinco presos, dos quais quatro eram policiais militares. Foram apreendidos 13 veículos de luxo em Curitiba, além de computadores, joias e valores em dinheiro.
Em Laguna e em Joinville (SC) foram cumpridos mandados de condução coercitiva, um em cada cidade. No Rio Grande do Sul, foram cumpridos dois mandados de busca e apreensão: um em Porto Alegre e outro em Canoas.
Participação de policiais na quadrilha
A PF iniciou a investigação sobre o caso em 2010, após representação do Ministério Público Federal de Umuarama (PR). A corporação apurou que a quadrilha se valia de um “braço armado” formado por policiais militares lotados, em sua maioria, em rotas de contrabando no noroeste do Paraná.
Além de facilitar a passagem da mercadoria do grupo, os PMs extorquiam contrabandistas concorrentes, repassando parte dos valores e dos produtos desviados de apreensões aos líderes do esquema.
Segundo a PF, a organização era liderada por um assessor de um deputado estadual do Paraná e por oficiais da Polícia Militar (PM), que mantinham os aliciados em equipes móveis e os auxiliavam em procedimentos disciplinares para concretizar os crimes.
Os valores derivados da corrupção e repassados ao assessor do político e aos oficiais da PM paranaense giravam em torno de centenas de milhares de reais, informou a PF. A movimentação gerou patrimônio por parte dos integrantes da quadrilha. Parte dos imóveis e valores foram bloqueados por decisão judicial.
Fractal
O nome da operação é decorrente da capilaridade detectada nas investigações, que levou a quadrilha a infiltrar-se em todas as esferas do Estado. Por um conceito matemático, “fractal” seria um objeto que apenas encontraria regras na irregularidade.
A Polícia Federal apurou que existem indícios de que a organização criminosa infiltrou-se, ou buscava influência, em setores das polícias Militar, Civil e Federal, Receita Federal, Receita Estadual, Ministério Público Estadual e também na Assembleia Legislativa do Paraná.
Durante os dois anos da investigação foram realizados diversos flagrantes e prisões de servidores públicos por corrupção. A Polícia Federal deverá realizar ainda outras diligências.