A Polícia Civil indiciou cinco pessoas pela morte da aposentada anglicana Ilza Lima Duarte, de 77 anos. O inquérito foi encaminhado hoje à 2ª Vara do Júri da Capital. A motivação do assassinato triplamente qualificado, conforme a polícia, foi econômica.
Segundo a delegada responsável pelo caso, Vanessa Pitrez Corrêa, participaram do crime o professor da UFRGS Roberto Petri Homrich, de 48 anos, e a mulher dele, Maria Fernanda Corrêa Homrich, 48 o auxiliar de serviços gerais do prédio em que morava a aposentada, Pablo Miguel Scher, 32, e a esposa dele, Andréia da Rosa Scher, 30, além do porteiro do edifício, Paulo Giovani da Silva, 36.
A vítima teria prometido um dos cinco imóveis que possuía aos casais Homrich e Scher. Já o executor, que seria o porteiro, receberia R$ 500 pela morte. A anglicana, que foi ex-secretária de escola, teria sido induzida a fazer uma declaração de próprio punho informando a doação meses antes do crime.
Além do homicídio triplamente qualificado, o grupo foi indiciado por Fraude Processual, por ter alterado a cena do crime. Os executores posicionaram a mulher na cama para dar a impressão de que ela teria morrido dormindo e de causas naturais. Também houve pressa para a cremação do corpo, o que não ocorreu porque o crematório não aceitou realizar o serviço sem o atestado de óbito.
Segundo a delegada do caso, depois do crime, o apartamento foi higienizado a tal ponto que nem as digitais da vítima, que morava sozinha, foram constatados. A polícia conseguiu indícios do crime por meio da quebra de sigilo telefônico e o cruzamento de dados das conversas com a utilização de um equipamento eletrônico desenvolvido para esse fim. Alem disso, um pelo do suposto assassino, que não admitia ter entrado no apartamento da mulher, foi encontrado no interior do imóvel.
Os bens da vítima fora bloqueados a pedido do ex-delegado do caso, Bolivar Llantada. Ele deixou a investigação porque estaria sendo atacado pelos advogados dos suspeitos, que teriam reclamado da conduta do policial para a chefia de polícia. “Para não prejudicar as investigações, achei melhor sair”, explicou. O delegado teria sido chamado de machista e foi substituído pela delegada Vanessa.
A investigação que durou quase dois anos apontou que a mulher foi estrangulada no interior do apartamento em que morava, no centro de Porto Alegre, em 15 de fevereiro de 2008. Os executores tinham as chaves da residência da vítima.
Cinco pessoas são indiciadas por morte de idosa em Porto Alegre
Polícia encaminhou hoje o inquérito à Justiça depois de quase dois anos de investigações