Foi deflagrada, nesta quinta-feira, uma ação da Polícia Civil contra os suspeitos de envolvimento na chacina com quatro mortos em Rolante, no Vale do Paranhana. Intitulada Operação Vindex, a ofensiva ocorreu quase 20 dias após o crime, quando as vítimas foram executadas a tiros em via pública. Cinco pessoas foram presas temporariamente e outras cinco, estão foragidas.
Entre mandados de busca e prisões, 48 ordens judiciais foram cumpridas por uma força-tarefa do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) com agentes da DP de Rolante. As diligências somaram cerca de 200 agentes, que cumpriram as medidas em Portão, Estância Velha, Campo Bom, São Leopoldo, Guaíba e Novo Hamburgo.
A chacina aconteceu na madrugada de 1º de setembro. De acordo com a investigação, por volta das 3h30min, quatro homens foram arrebatados do interior de casa e depois executados com mais de 150 tiros em frente a um condomínio residencial, na avenida Bento Gonçalves, no bairro Rio Branco. Além disso, a residência de um dos raptados foi incendiada.
Os corpos foram localizados na calçada, sendo que dois deles tinham as mãos amarradas. As vítimas tinham 22, 23, 35 e 40 anos e, conforme a investigação, tinham vínculos com um grupo criminoso que atua em Rolante.
De acordo com o titular da 6ª Delegacia de Homicídios, Thiago Carrijo, os responsáveis pela chacina são integrantes de uma outra facção e a motivação das mortes estaria relacionada a disputas pelo domínio de pontos de tráfico na cidade. O delegada aponta, entretanto, que o ocorrido foi um conflito pontual entre quadrilhas, não uma guerra.
"Nenhuma facção domina a cidade de Rolante. Ali, quem tem o controle é o Estado. O que ocorreu foi uma disputa específica entre dois grupos criminosos, por uma área onde há pontos de venda de drogas no município”, enfatizou Thiago Carrijo.
A investigação aponta que os autores da chacina saíram de Portão rumo a Rolante em um comboio que somava dez carros, incluindo veículos clonados. A carreata foi encabeçada por uma ambulância, apreendida nesta manhã, que também serviu para transportar armas para o grupo. Outros dois carros utilizavam giroflex ligado, na intenção de parecer com viaturas policiais.
Também foi constatado que, dias antes da chacina, os criminosos alteraram a posição de câmeras de segurança na rua em que uma das vítimas morava. O local onde ocorreram as execuções, no entorno do condomínio, teria sido selecionado por ser um ponto com visibilidade, uma avenida com intenso fluxo de veículos e pedestres. A intenção seria impor medo ao maior número de pessoas possível.