O clima é de comoção em São Lourenço do Sul neste sábado. São veladas na cidade cinco das 11 vítimas do acidente ocorrido no final da manhã de sexta-feira na BR 116, em Pelotas, entre uma carreta e um ônibus.
O motorista Carlos Roberto Blank e o cobrador do ônibus Luiz Anselmo da Silva foram velados juntos na mesma capela, no Cemitério Ecumênico Bom Pastor. Silva será sepultado no mesmo local, já Blank deverá ser enterrado no final do dia no cemitério da comunidade de Campos Quevedo.
O motorista de 34 anos deixou a mãe, o irmão, um companheiro e primos. Segundo a prima de Carlos, Kelly Brodt Wachs, ele trabalhava na função há bastante tempo. Ela conta que o primo era uma pessoa extremamente responsável e prudente no trânsito. "O Betinho, como era carinhosamente chamado na família, era o primo mais novo, o caçula, resolveu seguir os passos do pai na profissão, o que fazia muito bem", observa.
Ela conta que Blank era apaixonado por dirigir. "Cauteloso e responsável, era um guri muito querido pelos passageiros, pois além de bom profissional era muito simpático. Apesar de quieto e introvertido, sempre tinha um sorriso no estampado no rosto, mas não quando estava no volante carregando passageiros para o trabalho, ou para passeios", opina.
A estimativa da Polícia Rodoviária Federal é que 27 pessoas estavam no ônibus no momento da colisão com a carreta. Kelly tem a certeza que o primo pensou rápido para salvar o máximo de pessoas possíveis no acidente. "Não me surpreende ele ter pensado rápido e ter salvado muitas vidas, ainda que tenha custado a dele. Com certeza já deixa muita saudade principalmente para as pessoas mais próximas dele", lamenta.
Luiz Anselmo da Silva tinha 57 anos. Além da esposa, ele deixou duas filhas, duas enteadas e a mãe. Eder Blanck, amigo tanto do motorista quanto do cobrador, conta que os dois eram sócios do Sindicato dos Trabalhadores em Transporte Rodoviário de Pelotas. "Apesar de morar em Pelotas, no verão vou muito para São Lourenço do Sul, onde tenho casa. Já fiz várias viagens com eles", relata. Silva, apesar de estar como cobrador no acidente, trabalhava como motorista também. Ele tinha mais de 30 anos de experiência. "Esse trajeto de Pelotas a São Lourenço, os dois conheciam muito bem, pois faziam até quatro vezes por dia. Eram muito atenciosos, os passageiros nunca reclamaram deles. É lamentável tudo o que ocorreu", conclui.