Cirurgião plástico tem prisão preventiva decretada e acaba detido pela Polícia Civil em Gramado

Cirurgião plástico tem prisão preventiva decretada e acaba detido pela Polícia Civil em Gramado

Médico é investigado pela 1ª Deam de Porto Alegre por crimes contra a dignidade sexual das pacientes

Correio do Povo

Investigado nega todas as acusações

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O cirurgião plástico investigado pela prática de crimes contra a dignidade sexual de pacientes, conforme denúncias apresentadas por 95 mulheres até o momento em Porto Alegre, foi preso pela Polícia Civil na noite de sexta-feira em Gramado, na Serra.

O mandado de prisão preventiva foi cumprido pelos agentes da 1ª Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (1ª Deam) de Porto Alegre, sob comando da delegada Jeiselaure Rocha de Souza, com a deflagração da segunda fase da operação Hipócrates.

A decisão foi proferida pela 2ª Vara Criminal do Foro Central da Comarca de Porto Alegre, após parecer favorável do Ministério Público do Rio Grande do Sul. 

Desde a primeira fase da operação na terça-feira passada, desencadeada após registro de ocorrências por 12 pacientes, outras 83 mulheres já procuraram a 1ª Deam para fazer denúncias contra o médico. O cirurgião plástico prestou depoimento na última quinta-feira e negou as acusações.

Em entrevista ao Correio do Povo, a delegada Jeiselaure Rocha de Souza falou sobre o andamento da investigação. “Estamos ouvindo as vítimas, documentando e formalizando as denúncias”, explicou a titular da 1ª Deam. 

Na primeira etapa da operação Hipócrates, os policiais civis cumpriram dois mandados de busca e apreensão no bairro Três Figueiras. Uma das ordens judiciais foi na clínica de cirurgia plástica do médico. Já a outra foi na residência dele.

Aparelhos eletrônicos foram recolhidos para verificar se os abusos foram filmados pelo suspeito. Objetos de uso pessoal do médico também foram levados para a comparação genética no Instituto-Geral de Perícias.

Defesa

Defensor do médico, o advogado Gustavo Nagelstein havia divulgado uma carta aberta na tarde de sexta-feira, horas antes da prisão do seu cliente. A nota oficial informava que o cirurgião plástico tem contribuído com “todos os atos possíveis de modo a facilitar o esclarecimento das investigações em andamento" e “vem de todas as formas contribuindo incansavelmente com toda a investigação para, por fim, reerguer a sua integridade profissional".

Enfatizando a inocência do médico diante de todas as acusações, a carta aberta apontava “incoerências” nas denúncias, sendo questionadas pontualmente algumas delas.

“Infelizmente, apenas um lado da história tornou-se público, ferindo a dignidade pessoal e prejudicando a imagem profissional” do médico acusado. O advogado Gustavo Nagelstein lembrou que o profissional é “um dos maiores especialistas em procedimentos estéticos do país, com mais de 30 anos de trabalho honesto”.

“Importante mencionar e agradecer os diversos pacientes que têm se manifestado em redes sociais e se colocado à disposição do médico que, certamente trará a verdade e voltará sua vida normal. Por fim e não menos importante é o fato de que todo ser humano acusado de um ato delituoso tem o direito de ser presumido inocente até que a sua culpabilidade tenha sido provada de acordo com a lei, em julgamento público no qual lhe tenham sido asseguradas todas as garantias necessárias à sua defesa”, disse o advogado Gustavo Nagelstein na carta aberta.

“Infelizmente, vivemos tempos de julgamentos sumários de redes sociais, mas o julgamento da justiça trará de volta a dignidade do homem vultoso”, concluiu o defensor do cirurgião médico na nota oficial.


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